Meu Amado Profeta

FAZER O NAMÂZ

A segunda das cinco condições do Islã é fazer o namâz. Para todo muçulmano é fard fazer o namâz cinco vezes por dia, quando chegam os seus tempos, e saber que fez cada um deles no seu tempo. Os namâz devem ser feitos antes que passem os seus tempos, atentando para os seus fard, wâjib e sunnas e entregando o coração a Allahu ta’âlâ. No Alcorão al-Karîm, o namâz é chamado “salât”. Salât, no sentido lexical, quer dizer a dua do homem, o pedido de perdão (istighfâr) dos anjos e a misericórdia e a compaixão de Allahu ta’âlâ. No Islã, “salât” quer dizer fazer certos movimentos e recitar certas coisas, da maneira comunicada nos livros de ilmihâl.

A importância do namâz

O namâz é a maior, a mais importante e a mais bela ordem que Allahu ta’âlâ concedeu aos crentes em consideração ao nosso amado Profeta. O namâz é o pilar da religião. Quem faz o namâz constantemente, corretamente e por completo ergueu a sua religião e manteve de pé o edifício do Islã. Quem não faz o namâz demoliu a sua religião e o edifício do Islã. Nosso Profeta (sallallahu alaihi wa sallam) disse: “A cabeça da nossa religião é o namâz.” Assim como não há homem sem cabeça, também não há religião sem namâz.

O namâz é, na religião islâmica, a primeira ordem tornada fard depois da fé. Allahu ta’âlâ tornou o namâz fard para que os Seus servos adorem somente a Ele. No Alcorão al-Karîm, em mais de cem versículos sagrados, é dito: “Fazei o namâz!” Num hadîth sharîf foi dito: “Allahu ta’âlâ tornou fard fazer os cinco namâz cada dia. A quem faz os cinco namâz cada dia, dando-lhes valor e observando as suas condições, Allahu ta’âlâ prometeu fazê-lo entrar no Paraíso.”

O namâz é o mais precioso de todos os atos de adoração cuja prática é ordenada em nossa religião. Num hadîth sharîf foi dito: “Quem não faz o namâz não tem parte no Islã!” E em outro hadîth sharîf foi dito: “O que separa o crente do kâfir é o namâz”, isto é, o crente faz o namâz e o kâfir não o faz.

Fazer o namâz é pensar na grandeza de Allahu ta’âlâ e compreender a própria pequenez diante Dele. Quem compreende isto faz sempre o bem. Não pode fazer mal algum. O coração de quem tem a intenção de estar cinco vezes por dia na presença de seu Senhor enche-se de sinceridade (ikhlâs). Cada movimento ordenado no namâz traz benefícios ao coração e ao corpo. Fazer o namâz em congregação (jamâ’a) nas mesquitas liga os corações dos muçulmanos uns aos outros. Cria amor entre eles. Compreendem que são irmãos uns dos outros. Os mais velhos tornam-se compassivos com os mais novos, e os mais novos, respeitosos com os mais velhos. Os ricos ajudam os pobres, e os fortes, os fracos. Os sãos, quando não veem os doentes na mesquita, vão visitá-los em suas casas. Rivalizam para alcançar a boa nova do hadîth sharîf: “Quem corre em auxílio de seu irmão de religião tem Allahu ta’âlâ por auxiliador.”

O namâz afasta os homens das coisas feias, más e proibidas. É expiação (kaffâra) dos pecados. Num hadîth sharîf foi dito: “Os cinco namâz são como um rio que corre diante da porta de um de vós. Assim como não ficaria sujeira em quem entrasse nesse rio e se lavasse cinco vezes por dia, assim também os pecados pequenos dos que fazem os cinco namâz são perdoados.” O namâz é, depois da fé em Allahu ta’âlâ e em Seu Rasûl, a mais elevada de todas as obras e atos de adoração. Por isso, os namâz devem ser feitos observando-se os seus fard, wâjib, sunnas e mustahab. Nosso Profeta (sallallahu alaihi wa sallam) disse num hadîth sharîf: “Ó minha umma e meus Companheiros! O namâz em cuja execução se observa tudo por completo é a mais elevada de todas as obras que Allahu ta’âlâ aprova. É a sunna dos profetas. É o que os anjos amam. É a luz (nûr) da ma’rifa, da terra e dos céus. É a força do corpo. É a bênção do sustento. É meio para a aceitação da dua. É intercessor diante do anjo da morte. É luz no túmulo e resposta a Munkar e Nakîr. É sombra sobre o homem no Dia do Juízo. É escudo entre o homem e o fogo do Inferno. Faz passar pela ponte Sirât como o relâmpago. É a chave do Paraíso. É coroa na cabeça no Paraíso. Allahu ta’âlâ não deu aos crentes coisa mais importante que o namâz. Se houvesse um ato de adoração superior ao namâz, Ele o teria dado aos crentes antes de tudo. Pois, dos anjos, uns estão sempre em qiyâm (de pé), outros em rukû, outros em sajda e outros em tashahhud. Ele reuniu tudo isso num namâz de uma rak’a e deu-o de presente aos crentes. Pois o namâz é a cabeça da fé, o pilar da religião, a palavra do Islã e o Mi’râj dos crentes. É a luz do céu e o que salva do Inferno.”

Um dia, Alî (radiyallahu anh wa karramallahu wajhah) deixara passar o tempo do namâz da tarde. De tristeza, lançou-se do alto de uma colina. Chorou gemendo e lamentou-se. Quando nosso Profeta Muhammad Mustafâ (sallallahu alaihi wa sallam) soube desse seu estado, foi até Alî (radiyallahu anh) junto com os seus Companheiros. Ao ver o seu estado, também nosso Profeta (sallallahu alaihi wa sallam), o Mestre do universo, começou a chorar. Fez dua. O sol voltou a subir. Nosso Mestre Rasûlullah (sallallahu alaihi wa sallam) disse: “Ó Alî! Levanta a cabeça, o sol ainda está visível.” Alî (radiyallahu anh) alegrou-se muito com isso e fez o seu namâz. Certa noite, Abû Bakr as-Siddîq (radiyallahu anh), por ter praticado muita adoração, foi vencido pelo sono no fim da noite e perdeu o namâz de witr. No namâz da manhã, indo atrás de nosso Mestre, o Profeta, chegou à sua presença à porta da mesquita e, chorando, suplicou: “Yâ Rasûlallah! Socorre-me, perdi o meu namâz de witr.” Nosso Mestre Rasûlullah também começou a chorar. Então veio Jibrîl alaihis-salâm e disse: “Yâ Rasûlallah! Dize ao Siddîq que Allahu ta’âlâ o perdoou.” Um dos grandes awliyâ, Bâyazîd Bistâmî (quddisa sirruh), certa noite foi vencido pelo sono e não conseguiu despertar para o namâz da manhã. Chorou e gemeu tanto que ouviu uma voz: “Ó Bâyazîd! Perdoei esta tua falta. Pela bênção deste choro, dei-te além disso a recompensa de setenta mil namâz.” Alguns meses depois, o sono venceu-o de novo. O shaytân veio e acordou-o puxando-o pelo pé abençoado. Disse: “Levanta-te, o teu namâz está para passar!” Bâyazîd Bistâmî disse: “Ó maldito, como fazes uma coisa destas? Tu queres que o namâz de todos se perca e que o seu tempo passe. Por que me acordaste?” O shaytân disse: “No dia em que perdeste o namâz da manhã, ganhaste, chorando, a recompensa de setenta mil namâz. Hoje, pensando nisso, acordei-te para que obtenhas a recompensa de um só namâz e não alcances a recompensa de setenta mil namâz!”

“Quem não faz o namâz não tem parte no Islã!” Hadîth sharîf

O grande walî Junayd Baghdâdî disse: “Uma hora deste mundo é melhor que mil anos do Juízo Final. Pois nesta única hora pode-se praticar uma obra virtuosa e aceita, e naqueles mil anos nada se pode fazer.” Rasûlullah (sallallahu alaihi wa sallam) disse: “Quem, de propósito, juntar um namâz ao namâz seguinte arderá oitenta huqba no Inferno.” Uma huqba são oitenta anos da outra vida. Um dia da outra vida são mil anos deste mundo. Portanto, ó meu irmão de religião! Não passes o teu tempo com coisas vãs e inúteis. Conhece o valor do teu tempo. Emprega o teu tempo nas melhores coisas. Nosso amado Profeta disse: “A maior das desgraças é passar o tempo com coisas inúteis.” Faze os teus namâz no seu tempo, para que no Dia do Juízo não te arrependas e alcances uma recompensa imensa! Num hadîth sharîf foi dito: “Para o túmulo de quem não faz um namâz no seu tempo, deixando-o para qadâ, e morre antes de o cumprir, abrem-se setenta janelas do Inferno, e ele sofre castigo até o Dia do Juízo.”

Quem não faz de propósito um namâz no seu tempo, isto é, quem não se entristece por não ter feito o namâz enquanto o seu tempo passa, sai da religião ou parte sem fé ao morrer. E que será dos que nem sequer se lembram do namâz, dos que não reconhecem o namâz como dever? Todos os sábios dos quatro madhhabs declararam, por consenso, que os que não dão importância ao namâz e não o reconhecem como dever se tornam apóstatas (murtadd), isto é, kâfirs. No capítulo “As calamidades da língua” do livro “Hadîqat an-Nadiyya”, de Abdulghanî Nablusî, está escrito que também quem não faz o namâz de propósito, não pensa em fazer o seu qadâ e não teme sofrer castigo por isso se torna apóstata (murtadd), isto é, kâfir.

A quem o namâz é fard

Fazer o namâz é fard para todo homem e toda mulher muçulmanos que têm juízo e entraram na idade da puberdade. Para que o namâz seja fard há três condições:

1. Ser muçulmano. 2. Ter juízo. 3. Ter entrado na idade da puberdade.

Em nossa religião, as crianças pequenas que não têm juízo e não entraram na idade da puberdade não são responsáveis por fazer o namâz. Mas as mães e os pais devem ensinar aos filhos os conhecimentos religiosos e acostumá-los a praticar a adoração. Nosso Profeta (sallallahu alaihi wa sallam) disse: “Cada um de vós é como o pastor de um rebanho! Assim como o pastor protege o seu rebanho, também vós deveis proteger do Inferno os que estão em vossas casas e sob as vossas ordens! Deveis ensinar-lhes o Islã! Se não lhes ensinardes, sereis responsáveis.” E em outro hadîth sharîf disse: “Todas as crianças vêm ao mundo aptas e dispostas para o Islã. Depois, as suas mães e os seus pais as fazem cristãs, judias e sem religião.” Portanto, o primeiro dever de todo muçulmano é ensinar aos filhos o Islã, a leitura do Alcorão al-Karîm, o namâz e as condições da fé e do Islã. As mães e os pais que querem que o filho seja muçulmano e alcance o repouso e a paz neste mundo e na outra vida devem, antes de tudo, cumprir este dever. A criança a quem não são dados os conhecimentos islâmicos e o belo caráter deixa-se enganar depressa pelas pessoas de mau caminho. Torna-se nociva à mãe e ao pai, ao Estado e à nação.

Aqui comunicamos as questões relativas ao namâz segundo o madhhab hanafita, tomando-as dos livros dos grandes sábios desse madhhab e simplificando-as.

Os namâz que foram ordenados aos muçulmanos dividem-se em três: fard, wâjib e nâfila. 1. Os namâz fard: os fard dos cinco namâz diários, as duas rak’as fard do namâz de sexta-feira (juma) e o namâz fúnebre (janâza) são namâz fard. (O namâz fúnebre é fard-i kifâya.) 2. Os namâz wâjib: o namâz de witr, os namâz do bayram, o namâz prometido por voto e os namâz nâfila começados e interrompidos. Fazer o qadâ do namâz de witr que ficou para qadâ também é wâjib.

3. Os namâz nâfila: as sunnas dos cinco namâz diários, o namâz de tarâwîh e os namâz que se fazem com a intenção de ganhar recompensa, como os namâz de tahajjud, tahiyyat al-masjid, ishrâq, duhâ, awwâbîn, istikhâra e tasbîh, são namâz nâfila. Isto é, não há ordem de fazê-los. A quem não tem dívida de namâz fard e wâjib é dada recompensa também pelos atos de adoração nâfila.

Os cinco namâz diários

Nosso Profeta Muhammad alaihis-salâm disse: “Allahu ta’âlâ tornou fard para Seus servos fazer o namâz cinco vezes por dia. Aos que, fazendo bem a ablução, fazem estes cinco namâz nos seus tempos e fazem bem o seu rukû e as suas sajdas, Allahu ta’âlâ perdoa e concede o Seu perdão (maghfira).”

Os cinco namâz diários somam quarenta rak’as. Destas, dezessete rak’as são fard, três rak’as são wâjib e vinte rak’as são sunna. A saber: 1. O namâz da manhã – quatro rak’as. Primeiro fazem-se as duas rak’as sunna e depois as duas rak’as fard. Esta sunna é muito forte. Há quem a considere wâjib. 2. O namâz do meio-dia – dez rak’as. Primeiro fazem-se as quatro rak’as da primeira sunna, depois as quatro rak’as fard e, depois do fard, as duas rak’as da última sunna.

3. O namâz da tarde – oito rak’as. Primeiro fazem-se as quatro rak’as sunna e depois as quatro rak’as fard.

4. O namâz do pôr do sol – cinco rak’as. Primeiro fazem-se as três rak’as fard e depois as duas rak’as sunna. 5. O namâz da noite – treze rak’as. Primeiro fazem-se as quatro rak’as sunna, depois as quatro rak’as fard, depois as duas rak’as da última sunna e, depois disso, as três rak’as do namâz de witr.

Os fard do namâz

O fard é a ordem categórica de Allahu ta’âlâ que quer que uma coisa seja feita. Enquanto os fard de um ato de adoração não forem cumpridos, esse ato de adoração não é válido (sahîh), correto. Ao fazer o namâz, é fard cumprir doze condições. Destes fard, sete estão fora do namâz e cinco dentro dele. Aos fard de fora chama-se condições (shart), e aos de dentro, pilares (rukn). [Alguns sábios disseram que o takbîr de tahrîma está dentro do namâz. Segundo eles, as condições e os pilares do namâz são seis cada.] O grande número de suas condições mostra que o namâz é uma grande obra e o mais importante dos atos de adoração. Se a isto se acrescentarem ainda os seus wâjib, sunnas, mustahab, makrûh e mufsid, compreende-se como o servo há de estar, como deve estar, na presença de seu Senhor. Os servos são criaturas impotentes, fracas e miseráveis. A cada respiração necessitam de Allahu ta’âlâ, que os criou. O namâz é um ato de adoração que faz o servo conhecer a sua impotência.

“Para o túmulo de quem não faz um namâz no seu tempo, deixando-o para qadâ, e morre antes de o cumprir, abrem-se setenta janelas do Inferno, e ele sofre castigo até o Dia do Juízo” Hadîth sharîf

A) As condições do namâz

Os fard de fora do namâz, isto é, as suas condições, são sete. São os seguintes:

1. Tahâra do hadath

Isto é, quem está sem ablução deve fazer a ablução, e quem está junub, o ghusl.

Como se faz a ablução segundo o madhhab hanafita

Para fazer a ablução segundo a sunna: 1. Ao começar a ablução, lavam-se as mãos até os pulsos três vezes. 2. Com a mão direita, põe-se água na boca três vezes. 3. Com a mão direita, põe-se água no nariz três vezes e assoa-se com a mão esquerda. 4. Tomando água nas palmas das mãos, lava-se o rosto (três vezes), da testa até debaixo do queixo e até as têmporas. Lavar o rosto uma vez é fard. Ao lavar o rosto, faz-se a intenção (niyya) com o coração. 5. Com a mão esquerda, lava-se o braço direito (três vezes) até o cotovelo. 6. Com a direita, lava-se o braço esquerdo (três vezes), incluindo o cotovelo. Lavar os dois braços, junto com os cotovelos, uma vez é fard. 7. Depois de lavar os dois braços, molham-se de novo as mãos e, com essa umidade, faz-se o masah na cabeça, o que é fard. Depois faz-se o masah nas orelhas e na nuca. Para fazer juntos estes três últimos, molham-se as duas mãos e, em cada mão, juntam-se os três dedos finos contíguos, e põem-se as duas mãos na cabeça de modo que a parte interna desses dedos fique na frente da cabeça, no começo do cabelo. As pontas destes três dedos das duas mãos devem tocar-se. Os polegares, os indicadores e as palmas ficam no ar e não tocam a cabeça. Puxando as mãos para trás, os três dedos de cada mão fazem o masah na cabeça. Quando as mãos chegam à borda do cabelo atrás, os três dedos separam-se da cabeça, as palmas das duas mãos são aplicadas sobre os cabelos dos lados da cabeça e, puxando-as de trás para a frente, faz-se o masah nos lados da cabeça. Depois põem-se os indicadores na parte interna das orelhas e a face interna dos polegares atrás das orelhas, e faz-se o masah nas orelhas de cima para baixo. Depois põe-se a face externa dos outros três dedos na nuca e, puxando-os do meio da nuca para os dois lados, faz-se o masah. [Fazer o masah na cabeça desta maneira é fard no madhhab malikita.] 8. Depois de fazer o masah no pescoço, lavam-se os pés: primeiro o pé direito, junto com o tornozelo (três vezes), fazendo o khilâl entre os dedos do pé com o dedo mínimo da mão esquerda, começando pelo dedo mínimo até o dedão. Depois o pé esquerdo, junto com o tornozelo (três vezes), fazendo o khilâl entre os dedos do pé, desta vez começando pelo dedão até o dedo mínimo, também com o dedo mínimo da mão esquerda. Lavar assim os dois pés uma vez, junto com os ossos dos tornozelos dos dois lados, é fard.

Num hadîth sharîf foi dito: “Quem, depois de fazer a ablução, recitar uma vez ‘Innâ anzalnâhu’, isto é, a Sura al-Qadr, Allahu ta’âlâ o inscreve entre os siddîq. Se a recitar duas vezes, inscreve-o entre os mártires (shahîd). Se a recitar três vezes, será ressuscitado junto com os profetas.”

E em outro hadîth sharîf foi dito: “Quem, depois de fazer a ablução, proferir dez vezes salât e salâm por mim, Allahu ta’âlâ lhe tira a tristeza, alegra-o e aceita a sua dua.”

O que invalida a ablução

Sete coisas invalidam a ablução. São as seguintes:

1. O que sai pela frente e por trás. 2. As coisas impuras (najis) que saem pela boca: a) o vômito, se for de boca cheia; b) ao cuspir, se o sangue for mais que a saliva. 3. O que sai da pele: a) se o sangue, o pus e o líquido amarelo saírem e escorrerem por si mesmos; b) se o algodão absorver o sangue e o líquido amarelo de um furúnculo ou de uma ferida. 4. O sono: se dormir deitado de lado, ou apoiado no cotovelo, ou encostado em alguma coisa, a ablução se invalida. 5. Desmaiar, enlouquecer, ter um ataque epiléptico ou embriagar-se a ponto de cambalear ao andar invalida a ablução. 6. Rir com gargalhada no namâz que tem rukû e sajdas invalida tanto o namâz como a ablução. Mas a da criança não se invalida.

O sorriso (tabassum) no namâz não invalida nem o namâz nem a ablução. Se os que estão ao lado ouvem o riso, a isto se chama qahqaha (gargalhada). Se nem ele mesmo o ouve, chama-se tabassum. 7. A mubâsharat-i fâhisha, isto é, o homem e a mulher, despidos, roçarem as partes pudendas um no outro, invalida a ablução tanto do homem como da mulher. Quem sabe que fez a ablução e depois duvida se ela se invalidou é considerado com ablução. Quem sabe que a ablução se invalidou e depois duvida se fez a ablução deve fazer a ablução.

Ghusl (ablução completa)

Para que o namâz seja válido (sahîh), isto é, correto, é preciso que a ablução e o ghusl sejam corretos. Para toda mulher e todo homem junub, e também para as mulheres que saíram do haid e do nifâs, é fard fazer o ghusl quando, no fim do tempo do namâz, restar tempo suficiente para fazer esse namâz. Fica-se junub pela relação conjugal (jimâ’) e pela polução noturna (ihtilâm). Nosso Profeta (sallallahu alaihi wa sallam) diz: “A quem se levanta para fazer o ghusl é dada tanta recompensa quanto o número de pelos de seu corpo [isto é, muitíssima], e outro tanto de seus pecados é perdoado. O seu grau no Paraíso se eleva. A recompensa que lhe será dada pelo seu ghusl é melhor que todas as coisas deste mundo. Allahu ta’âlâ diz aos anjos: ‘Olhai este Meu servo! Levanta-se de noite sem preguiça e, pensando em Minha ordem, faz o ghusl da janâba. Sede testemunhas de que perdoei os pecados deste Meu servo e lhe concedi o Meu perdão.’”

“Todas as crianças vêm ao mundo aptas e dispostas para o Islã. Depois, as suas mães e os seus pais as fazem cristãs, judias e sem religião” Hadîth sharîf

Os fard do ghusl

Segundo o madhhab hanafita, os fard do ghusl são três: 1. Lavar o interior da boca. Se no interior da boca ficar sem molhar um lugar, ainda que do tamanho da ponta de uma agulha, ou se a superfície dos dentes e as cavidades dos dentes não se molharem, o ghusl não é válido.

2. Lavar o nariz. Se a água não passar por baixo da sujeira seca do nariz e por baixo do pão mastigado na boca, o ghusl não é válido.

No madhhab hanbalita, lavar a boca e o nariz é fard tanto ao fazer a ablução como no ghusl. Nos madhhabs shafiita, malikita e hanbalita, fazer a intenção (niyya) ao fazer o ghusl também é fard.

3. Lavar todas as partes do corpo. É fard lavar o interior do umbigo, o bigode, as sobrancelhas e a barba, bem como a pele debaixo deles e os cabelos da cabeça. Se houver nas unhas, nos lábios, nas pálpebras ou em qualquer parte do corpo substâncias que não deixam passar a água [se houver esmalte nas unhas], o ghusl não se considera feito.

Como se faz o ghusl

Segundo o madhhab hanafita, o ghusl conforme a sunna faz-se assim:

1. Primeiro devem-se lavar as duas mãos, ainda que estejam limpas, as partes pudendas (awra) e os lugares do corpo onde houver impureza (najâsa).

2. Depois deve-se fazer uma ablução completa como a do namâz, fazendo a intenção do ghusl ao lavar o rosto. Se não se acumular água debaixo dos pés, devem-se lavar também os pés.

3. Depois deve-se derramar água três vezes sobre todo o corpo: primeiro três vezes sobre a cabeça, depois sobre o ombro direito, depois sobre o ombro esquerdo. A cada vez, esse lado deve molhar-se por completo. Na primeira vez, deve-se esfregar o corpo. No ghusl, se a água derramada sobre um membro escorrer para outros membros, também esse lugar fica limpo, porque no ghusl todo o corpo conta como um só membro. Na ablução, se outro membro se molhar com a água derramada sobre um membro, não se considera lavado. Terminado o ghusl, fazer de novo a ablução é makrûh. Mas, se a ablução do namâz se invalidar durante o ghusl, é preciso fazê-la de novo.

Explicação importante para os que têm dentes revestidos (coroas) e obturados

No madhhab hanafita, se os espaços entre os dentes e as cavidades dos dentes não se molharem, o ghusl não fica completo. Por isso, quando os dentes estão revestidos ou obturados, o ghusl não é válido. A pessoa não sai do estado de janâba. Como a água não entra debaixo das coroas e das obturações feitas de ouro, de prata e de outras substâncias não impuras (najis), o ghusl não é permitido (jâiz) segundo todos os sábios do madhhab hanafita. Quem não consegue cumprir um fard do seu madhhab deve fazer taqlîd de outro madhhab somente para cumprir esse fard. Mas, ao fazer isto, deve cumprir também as condições relativas à ablução do madhhab de que faz taqlîd. Nos madhhabs malikita e shafiita, lavar o interior da boca no ghusl não é fard.

Para que a pessoa do madhhab hanafita que tem coroas ou obturações faça taqlîd do madhhab malikita [ou do madhhab shafiita], basta que se lembre, no ghusl, ao fazer a ablução e ao fazer a intenção do namâz, de que segue o imam Mâlik [ou o imam Shâfi’î]. Isto é, é válido o ghusl de quem, ao começá-lo, faz passar pelo coração as palavras “Fiz a intenção de fazer o ghusl e de seguir o madhhab malikita [ou o madhhab shafiita]”.

Quando a pessoa do madhhab hanafita que tem coroa ou obturação na boca faz assim a intenção, o seu ghusl, isto é, a sua ablução completa, é válido. Sai do estado de janâba e fica puro. Fazendo taqlîd do madhhab malikita [ou shafiita], também a sua ablução e os seus namâz são válidos. Pode ser imã também dos que não têm coroas nem obturações.

Os fard do ghusl nos outros três madhhabs

No madhhab malikita:

1. A intenção (niyya),

2. O dalk,

3. A muwâlât,

4. Fazer o khilâl nos cabelos e na barba,

5. Lavar todas as partes do corpo.

No madhhab shafiita:

1. A intenção,

2. Lavar todas as partes do corpo. [Quando se diz que no madhhab shafiita os fard do ghusl são três, entende-se a limpeza da impureza (najâsa) do corpo. Como, uma vez lavado o corpo, a impureza também fica limpa, não há inconveniente em dizer que os fard do ghusl são dois.]

No madhhab hanbalita: o fard do ghusl é um só – lavar todo o corpo. Este é o pilar (rukn) do ghusl, isto é, o fard que está dentro do ghusl. Ao começar o ghusl, fazer a intenção e recitar a basmala também é fard. Como o interior da boca e do nariz é considerado parte exterior do corpo, lavá-los também é fard.

1. Fazer a intenção,

2. Recitar a basmala,

3. Lavar o interior da boca,

4. Lavar o interior do nariz,

5. Lavar todas as partes do corpo.

Os fard da ablução nos outros três madhhabs

No madhhab malikita:

1. A intenção,

2. Lavar o rosto,

3. Lavar os dois braços,

“A quem se levanta para fazer o ghusl é dada tanta recompensa quanto o número de pelos de seu corpo [isto é, muitíssima], e outro tanto de seus pecados é perdoado. O seu grau no Paraíso se eleva” Hadîth sharîf

4. Fazer o masah em toda a cabeça [a pele e os cabelos à altura do lóbulo da orelha pertencem à cabeça]. 5. Lavar os dois pés. 6. A muwâlât [lavar os membros sem interrupção, um após o outro],

7. O dalk [esfregar o lugar lavado].

No madhhab shafiita:

1. A intenção,

2. Lavar o rosto,

3. Lavar os dois braços,

4. Fazer o masah numa pequena parte da cabeça,

5. Lavar os dois pés,

6. O tartîb [lavar pela ordem].

No madhhab hanbalita:

1. A intenção,

2. Recitar a basmala,

3. Lavar o rosto,

4. Lavar a boca,

5. Lavar o nariz,

6. Lavar os dois braços,

7. Fazer o masah em toda a cabeça [as orelhas pertencem à cabeça],

8. Lavar os dois pés,

9. O tartîb. 10. A muwâlât.

Tayammum

Tayammum quer dizer purificar-se com terra. Quando não se encontra água para fazer a ablução ou o ghusl, ou quando, havendo água, não é possível usá-la, faz-se o tayammum com uma coisa limpa da espécie da terra, como terra limpa, areia, cal e pedra. No madhhab hanafita pode-se fazer o tayammum também antes de entrar o tempo do namâz. Nos outros três madhhabs, antes de entrar o tempo não é permitido (jâiz).

Os fard do tayammum

Os fard do tayammum são três: 1. Fazer a intenção. 2. Passar as palmas das duas mãos na terra limpa e fazer o masah em todo o rosto. 3. Bater as mãos na terra limpa e fazer o masah primeiro no braço direito e depois no esquerdo. Há também quem diga que os fard do tayammum são dois: contam o segundo e o terceiro fard como um só fard. As duas formas estão corretas.

O tayammum é o mesmo para a ablução e para o ghusl.

Como se faz o tayammum

1. Primeiro faz-se a intenção de purificar-se da janâba ou da falta de ablução. Para poder fazer o namâz com tayammum, não basta fazer a intenção somente do tayammum. É preciso fazer a intenção de fazer o tayammum para uma coisa que seja adoração, por exemplo, para fazer o namâz fúnebre ou a sajda de tilâwa, ou para a ablução, ou para o ghusl. Ao fazer a intenção do tayammum, não é preciso distinguir entre a ablução e o ghusl. Fazendo a intenção para a ablução, a pessoa fica pura também da janâba. Com o tayammum feito com a intenção de purificar-se da janâba pode-se fazer o namâz. Não é preciso um segundo tayammum para a ablução.

2. Com as mangas dos dois braços arregaçadas acima dos cotovelos, passar as palmas das duas mãos na terra limpa, na pedra, ou numa parede rebocada com terra ou com cal, de modo que toquem pelo menos três dedos, e fazer o masah no rosto uma vez com as duas palmas, isto é, passá-las sobre ele. Se a mão não tocar um lugar do rosto do tamanho da ponta de uma agulha, o tayammum não se considera feito. Para fazer o masah em todo o rosto, com as palmas abertas, os quatro dedos juntos e as pontas dos dois dedos longos de cada mão tocando-se, põem-se as palmas na raiz do cabelo e descem-se devagar em direção ao queixo. Os dedos, em posição horizontal, devem passar bem pela testa, pelas pálpebras, pelos dois lados do nariz, por cima dos lábios e pela parte do queixo que pertence ao rosto. Nesse momento, as palmas passam também pelas faces.

3. Depois de passar de novo as duas palmas na terra e de bater uma na outra para sacudir o pó e a terra, passar primeiro a face interna dos quatro dedos da mão esquerda pela parte de baixo do braço direito, da ponta dos dedos até o cotovelo; depois, com a palma esquerda, passar pela parte interna do braço, do cotovelo até a mão; e depois, com a face interna do polegar esquerdo, passar pelo lado de fora do polegar direito. É preciso tirar o anel. Depois, do mesmo modo, com a mão direita passa-se pelo braço esquerdo. É preciso passar as palmas na terra. Não é preciso que a terra ou o pó fiquem na mão.

O que invalida o tayammum

Quando cessa o estado de impedimento que tornou necessário o tayammum, quando se encontra água, e nos casos que invalidam a ablução e o ghusl, o tayammum também se invalida.

Os estados de haid (menstruação) e de nifâs (puerpério) das mulheres1

Haid é o sangue que vem de uma menina sadia que completou oito anos e entrou nos nove, ou de uma mulher depois de passados quinze dias do último minuto de seu período anterior, e que dura pelo menos três dias. A toda cor que não seja branca e ao que é turvo chama-se sangue de haid. Quando a menina começa a ver o haid, entra na idade da puberdade, passa a ter o estatuto de mulher e torna-se responsável pelas ordens e proibições da religião. Ao número de dias desde o momento em que se vê o sangue até o dia em que ele cessa chama-se período (âdat). O mínimo deste período é 3 dias e o máximo, 10 dias. Toda mulher deve saber o número de dias e a hora de seu próprio período. É fard que a mãe – e, se não tiver mãe, as avós, as irmãs mais velhas, as tias paternas e maternas – ensine à menina que completou oito anos o conhecimento do haid e do nifâs.

“Para que as duas e o istighfâr sejam aceitos, é preciso fazer os namâz, abster-se das coisas harâm e recitá-los com ablução. Recitar o istighfâr e as duas com ablução é mustahab” Se’âdet-i Ebediyye

Nifâs é o sangue que vem depois do parto, isto é, o sangue que vem da mulher depois de dar à luz. Este sangue não tem duração mínima. Quando o sangue cessa, a mulher deve fazer o ghusl imediatamente. A sua duração máxima é de 40 dias. Completados os 40 dias, ainda que o sangue não cesse, ela faz o ghusl e começa a fazer o namâz. O sangue que vem depois de 40 dias é istihâda (isto é, impedimento – udhr).

As mulheres devem saber de cor também os dias de seu nifâs (puerpério). Chama-se istihâda (sangue de impedimento) aos seguintes sangues: o sangue que dura menos de 3 dias, isto é, de setenta e duas horas, ainda que sejam cinco minutos a menos; o sangue que dura mais de 10 dias na principiante; o sangue que, nas que não são principiantes, excede o seu período e passa também dos 10 dias; e o sangue que vem da mulher grávida, da mulher que passou dos 55 anos (âyisa) e das meninas menores de nove anos.

O sangue de istihâda é sinal de doença. É perigoso que escorra por muito tempo; é preciso recorrer ao médico. A mulher nos dias de istihâda é como a pessoa que sangra frequentemente pelo nariz: neste estado pode fazer o namâz e jejuar. No estado de haid e de nifâs, a mulher não pode fazer o namâz nem jejuar. Não pode fazer a sajda de tilâwa nem a sajda de agradecimento (shukr). Não pode tocar o Alcorão al-Karîm [o Mushaf ash-Sharîf]. Não pode entrar na mesquita jâmi’ nem na masjid, não pode fazer o tawâf da Ka’ba, não pode ter relação conjugal. Quando se purifica, faz o qadâ dos seus jejuns, mas não faz o qadâ dos seus namâz. A pessoa junub ou sem ablução que ouve um versículo de sajda faz a sajda de tilâwa depois de se purificar. Mas à mulher em haid e em nifâs, mesmo depois de se purificar, não é necessária a sajda de tilâwa.

A mulher deve comunicar ao marido que começou o haid. Nosso Profeta (sallallahu alaihi wa sallam) disse: “A mulher que esconde do marido o começo e o fim do haid é maldita.” Quando o haid ou o nifâs cessam, fazer imediatamente o ghusl e lavar-se é ordem de Allahu ta’âlâ, isto é, é fard.

Haid e nifâs no madhhab malikita

No madhhab malikita, chama-se sangue de haid ao sangue vermelho, amarelo ou turvo que escorre, sem causa alguma, pela frente da menina que chegou aos nove anos. Logo que começa a escorrer, é haid. Se continuar, o que for menos de 15 dias é período; o que passar disso é istihâda. Se no mês seguinte o período mudar, o maior de seus períodos mais 3 dias é haid. O que passar disso e o que passar de 15 dias é istihâda. Se o kursuf (o algodão) estiver seco, ou úmido mas branco, entende-se que o haid cessou. O sangue que vem depois dos 70 anos não é haid, é istihâda. Se o sangue continuar com intervalos, os dias em que cessa são considerados de pureza. A duração mínima da pureza é de 15 dias. O sangue que vem antes de passarem 15 dias é istihâda. Essa duração da pureza não tem limite. Se cessar e recomeçar depois de 15 dias, é haid. O sangue que vem antes do parto é haid. O sangue que vem quando a criança é retirada abrindo-se o ventre não é nifâs. A duração máxima do nifâs é de 60 dias. Se o sangue cessar por 15 dias, a mulher fica tâhir (pura). O sangue que vem depois disso é haid.

Haid e nifâs no madhhab shafiita

O mínimo do haid é 1 dia e o máximo, 15 dias. Se durar mais de 15 dias, é istihâda [impedimento]. O período de pureza é de 15 dias.

Se o sangue vier antes de completar 15 dias, isto não é haid, é istihâda. O sangue que vem da menina menor de 9 anos e da âyisa [depois dos 60 anos] não é haid; é impedimento.

A duração máxima do nifâs é de 60 dias. Para o mínimo não há limite. O sangue que vem da grávida é haid. Se os dias de pureza entre os sangramentos do nifâs forem menos de 15 dias, são considerados nifâs. Se entre os sangues do nifâs houver 15 ou mais dias de pureza, quer dizer que o nifâs já terminou. Não é preciso esperar os 60 dias. Se o sangue vier 15 ou mais dias depois da pureza, não é sangue de nifâs, é sangue de haid.

Haid e nifâs no madhhab hanbalita

O mínimo do haid é 1 dia e o máximo, 15 dias. Se durar mais de 15 dias, é istihâda [impedimento]. Para que haja um segundo haid, devem passar pelo menos 13 dias de intervalo. Se o sangue vier antes de passarem 13 dias, não é haid, é istihâda. O sangue que vem da menina menor de 9 anos e da âyisa [depois dos 50 anos] não é haid; é impedimento.

O sangue que vem da grávida não é haid, é istihâda. A duração máxima do nifâs, como no madhhab hanafita, é de 40 dias. Para o mínimo não há limite. Durante o nifâs, os dias em que não vem sangue são de pureza: a mulher faz o ghusl e pratica todos os seus atos de adoração. Nos dias em que vem sangue, deixa o seu namâz e o seu jejum. Assim continua até os 40 dias.

2. Tahâra da najâsa

Não haver impureza (najâsa), sujeira, no corpo, na roupa e no lugar onde se faz o namâz. O lenço de cabeça, o gorro, o turbante, as botas de couro (mest) e os tamancos (na’layn) também contam como roupa. A parte pendente do cachecol enrolado no pescoço conta como roupa, porque se move junto com quem faz o namâz, e, se não estiver limpa, o namâz não é aceito. Se o lugar do tapete onde se pisa e se põe a cabeça estiver limpo, o namâz é aceito ainda que haja impureza em outra parte dele, porque o tapete não está preso ao corpo como o cachecol. Mas o namâz de quem leva urina dentro de um frasco fechado não é permitido (jâiz), porque o frasco não é o lugar onde a urina se forma. [Disto se compreende que não é permitido fazer o namâz levando no bolso um frasco fechado de colônia, de álcool ou de tintura de iodo, ou um lenço ensanguentado ou um pano impuro (najis) dentro de uma caixa fechada.] O lugar onde pisam os dois pés e onde se faz a sajda deve estar limpo. O namâz feito sobre um pano, um vidro ou um náilon estendido sobre a impureza é aceito. Se, na sajda, as abas da roupa tocarem uma impureza seca, não há inconveniente.

“A mulher que esconde do marido o começo e o fim do haid é maldita” Hadîth sharîf

Istinjâ, istibrâ e istinqâ

Quando sai impureza dos lugares conhecidos (pela frente e por trás), à limpeza desses lugares chama-se istinjâ.

Istibrâ é deixar passar o tempo, andando ou de outra maneira, depois de urinar, até que desapareça a umidade da bexiga. Istinqâ é ter o coração seguro de que não ficou urina no canal urinário ou de que não ficou impureza no corpo.

As mulheres não fazem istibrâ. Para os homens é wâjib fazer o istibrâ andando, tossindo ou deitando-se sobre o lado esquerdo, isto é, não deixar gotas no canal urinário. Não se deve fazer a ablução antes de se ter certeza de que não ficou gota de urina. Se escorrer uma gota, a ablução se invalida e a roupa também se suja. Se escorrer na roupa de baixo menos que a palma da mão, o namâz feito com essa ablução é makrûh. Se escorrer muito, o namâz não é aceito. Os que têm dificuldade em fazer o istibrâ devem pôr no orifício urinário uma mecha de algodão vegetal do tamanho de um grão de cevada. O algodão absorve a urina que escorre. Só que a ponta do algodão não deve ficar de fora.

3. Satr al-awra (cobrir as partes que devem ser cobertas)

Chama-se awra às partes do corpo que é harâm descobrir e mostrar a outros, e que é harâm os outros olharem. A awra dos homens vai do umbigo até abaixo do joelho. O joelho é awra. O namâz feito com estas partes descobertas não é aceito. Cobrir as outras partes do corpo (os braços, a cabeça) ao fazer o namâz e calçar meias é sunna para os homens. Fazer o namâz com estas partes descobertas é makrûh para eles. Todas as partes das mulheres, exceto as palmas das mãos e o rosto – o dorso das mãos, os cabelos e os pés –, são awra nos quatro madhhabs. Por isso às mulheres se chamou “awra”. Cobrir estas partes é fard para elas. Se a quarta parte de qualquer dos membros de awra ficar descoberta durante um rukn, o namâz se invalida. Se ficar descoberto menos, não se invalida, mas o namâz é makrûh. O tecido fino, através do qual se vê a forma ou a cor do membro que está por baixo, é como se não existisse.

Para as mulheres, fora do namâz e estando sozinhas, é fard cobrir entre o joelho e o umbigo, é wâjib cobrir as costas e o ventre, e cobrir as outras partes é decoro (adab).

4. Istiqbâl al-qibla (voltar-se para a qibla)

Isto é, fazer o namâz voltado para a Ka’ba. À direção do edifício da Ka’ba, que está na cidade de Makka al-Mukarrama, chama-se qibla. Antes, a qibla era Jerusalém (Quds). Dezessete meses depois da Hégira, no meio do mês de Sha’bân, numa terça-feira, foi ordenado voltar-se para a Ka’ba.

A qibla não é o edifício da Ka’ba, mas o terreno em que ela está. Isto é, todo aquele espaço, da terra até o Arsh, é a qibla. Por isso, no fundo do mar e dos poços, nas montanhas altas e nos aviões, o namâz é feito em direção a esse lado. Se o ângulo de cerca de 45 graus entre as direções cruzadas dos nervos ópticos coincidir com a Ka’ba, o namâz é válido.

5. O tempo (waqt)

Rasûl-i akram (sallallahu alaihi wa sallam) disse num hadîth sharîf: “Jibrîl (alaihis-salâm) foi meu imã durante dois dias junto à porta da Ka’ba. Nós dois fizemos o namâz da manhã quando surgia a aurora (fajr), o do meio-dia quando o sol se afastava do zênite, o da tarde quando a sombra de cada coisa era igual à sua altura, o do pôr do sol quando o sol se punha [quando a sua borda superior desaparecia] e o da noite quando o crepúsculo (shafaq) escurecia. No segundo dia, fizemos o namâz da manhã quando o dia clareou, o do meio-dia quando a sombra de cada coisa era o dobro da sua altura, o da tarde logo depois disso, o do pôr do sol na hora em que se quebra o jejum e o da noite quando passou um terço da noite. Depois ele disse: ‘Ó Muhammad! Estes são os tempos do teu namâz e do namâz dos profetas anteriores. Que a tua umma faça cada um dos cinco namâz entre estes dois tempos em que fizemos o namâz.’”

Também daqui se compreende que o número dos namâz cuja prática diária foi ordenada é cinco. O tempo do namâz da manhã: vai desde o surgir da aurora (fajr), isto é, desde o começo da brancura no oriente, até o nascer do sol.

O tempo do namâz do meio-dia: vai desde o momento em que as sombras das coisas, depois de encurtar, começam a alongar-se, até que a sombra se alongue tanto quanto a altura da própria coisa.

O tempo do namâz da tarde: começa quando termina o tempo do meio-dia e continua até o sol desaparecer.

Mas, depois que o sol amarelece, isto é, quando se aproxima da linha do horizonte à altura de uma lança, ou seja, a partir de quando faltam 40 minutos para o pôr do sol, é harâm fazer qualquer namâz. Isto é, atrasar tanto o namâz da tarde é harâm. Mas, se não fez o namâz da tarde, deve fazê-lo mesmo assim, antes que o sol se ponha.

O tempo do namâz do pôr do sol: começa depois que o sol desaparece e continua até que o crepúsculo (shafaq) escureça, isto é, até que desapareça a vermelhidão no ocidente. O tempo do namâz da noite: vai desde a saída do tempo do namâz do pôr do sol até o clarear da aurora. Deixar o namâz da noite, sem motivo justificado, para depois da meia-noite segundo a sharî’a é makrûh.

Fazer os namâz antes ou depois de seus tempos é harâm. É pecado grave. Nos calendários de parede preparados pelo jornal “Türkiye”, os tempos do namâz e do imsâk foram indicados corretamente.

“O mais precioso dos atos de adoração é o namâz feito no início do seu tempo” Hadîth sharîf

Os tempos de karâha (tempos makrûh)

Os tempos em que fazer o namâz é makrûh tahrîmî, isto é, harâm, são três. Os fard começados nestes três tempos não são válidos. São: quando o sol nasce, quando o sol se põe e no meio do dia. Nestes três tempos também não são permitidos (jâiz) o namâz fúnebre de um morto preparado de antemão, a sajda de tilâwa e a sajda de sahw. Quando o sol se põe, só se pode fazer o namâz da tarde desse mesmo dia.

Adhân e iqâma

Adhân quer dizer anunciar a todos. Para os cinco namâz diários e para os namâz de qadâ, e no namâz de sexta-feira diante do pregador (khatîb), recitar o adhân é, para os homens, sunnat-i muakkada. Para as mulheres, recitar o adhân e a iqâma é makrûh. O adhân recita-se num lugar alto, para anunciar o tempo aos outros. Ao recitar o adhân, é mustahab levantar as duas mãos e pôr um dedo em cada um dos orifícios das duas orelhas. Recitar a iqâma é mais excelente que o adhân. O adhân e a iqâma recitam-se voltados para a qibla. Enquanto são recitados, não se fala nem se responde ao salâm. O adhân recita-se assim: Allahu akbar (4 vezes), Ash-hadu an lâ ilâha illallah (2 vezes),

Ash-hadu anna Muhammadan Rasûlullah (2 vezes),

Hayya alas-salâh (2 vezes),

Hayya alal-falâh (2 vezes),

Allahu akbar (2 vezes),

Lâ ilâha illallah (1 vez).

Somente no adhân da manhã, depois de “Hayya alal-falâh”, recita-se duas vezes (As-salâtu khairun minan-nawm). Na iqâma, além de todas as palavras do adhân, diz-se duas vezes, depois de “Hayya alal-falâh”, (Qad qâmatis-salâh).

6. Intenção (niyya)

A intenção faz-se ao pronunciar o takbîr de iftitâh. Fazer a intenção do namâz quer dizer fazer passar pelo coração o seu nome, o seu tempo, a qibla e o fato de seguir o imã.

A intenção feita depois do takbîr de iftitâh não é válida, e esse namâz não é aceito. Ao fazer a intenção nos fard e nos wâjib, é preciso saber qual fard e qual wâjib é. Não é preciso fazer a intenção do número de rak’as. Ao fazer a sunna, basta fazer a intenção “do namâz”. Para o namâz fúnebre faz-se a intenção dizendo: “Pelo namâz por Allah, pela salawât por nosso Mestre, o Profeta, pela dua pelo morto, sigo o imã aqui presente.”

“Para os que fazem o namâz com negligência, sem lhe dar importância, e que o fazem diante das pessoas por hipocrisia (nifâq) e ostentação (riyâ) e o abandonam quando estão sós, há castigo severo” Mâ’ûn: 4–6

Não é condição que o imã faça a intenção de ser imã dos homens. Mas, se o imã não fizer a intenção “sou imã da congregação aqui presente”, não alcança a recompensa de fazer o namâz em congregação. Se fizer a intenção de ser imã, alcança também esta recompensa. É preciso que o imã faça a intenção “de ser imã das mulheres”. Ao praticar os atos de adoração, o que se diz somente com a boca não se chama intenção. Se não se fizer a intenção com o coração, os atos de adoração não são aceitos.

7. Takbîr de tahrîma

Isto é, começar o namâz dizendo “Allahu akbar”. Levantam-se as mãos até as orelhas, de modo que as palmas fiquem voltadas para a qibla. As pontas dos polegares tocam os lóbulos das orelhas. Ao dizer “Allahu akbar”, baixam-se as mãos e, ao terminar, as mãos já estão atadas abaixo do umbigo. As mulheres fazem o takbîr levantando as mãos até os ombros e as mantêm sobre o peito, a mão esquerda embaixo e a direita em cima; não seguram o pulso como os homens.

B) Os pilares (rukn) do namâz

Os fard de dentro do namâz, isto é, os seus pilares (rukn), são cinco. São os seguintes:

1. Qiyâm

O primeiro dos cinco pilares do namâz é o qiyâm. Qiyâm quer dizer estar de pé. O doente que não pode ficar de pé faz o namâz sentado. O doente que não pode sentar-se faz o namâz deitado de costas, com sinais da cabeça. Coloca-se um travesseiro debaixo da sua cabeça, para que o seu rosto fique voltado não para o céu, mas para a qibla. Ele dobra as pernas pelos joelhos e não as estende em direção à qibla. De pé, a distância entre os dois pés deve ser da largura de quatro dedos.

2. Qirâ’a

Em cada rak’a das sunnas e do witr, e, quando se faz sozinho, em duas rak’as dos fard, é fard recitar de pé um versículo do Alcorão al-Karîm. Recitar uma sura curta dá mais recompensa.

Recitar a Fâtiha como qirâ’a é wâjib. Nas duas primeiras rak’as dos fard de quatro rak’as, recitar a Fâtiha e uma zamm-i sûra (sura adicional), ou pelo menos três versículos curtos, é wâjib; nas duas últimas rak’as, recitar a Fâtiha é sunna. Em cada rak’a do namâz de witr, que é wâjib, e dos namâz sunna, recitar a Fâtiha com uma zamm-i sûra é wâjib. Recitar a Fâtiha antes da sura e uma só vez também é wâjib. Se for esquecido um destes cinco wâjib relativos à Fâtiha, é preciso fazer a sajda de sahw. Na qirâ’a não é permitido (jâiz) recitar a tradução do Alcorão al-Karîm. Recita-se no seu original, em árabe.

3. Rukû

No qiyâm, depois da qirâ’a, dizendo o takbîr, inclina-se para o rukû. No rukû, os homens, com os dedos abertos, seguram bem as rótulas dos joelhos e mantêm as costas e a cabeça retas. No rukû diz-se pelo menos três vezes “Subhâna Rabbiyal-azîm” (dizê-lo 3, 5, 7, 9 ou 11 vezes é mustahab). No rukû, os braços e as pernas mantêm-se retos. As mulheres não abrem os dedos. Não mantêm retos as costas, as pernas e os braços.

Ao levantar-se do rukû para a qawma, dizer “Sami’allahu liman hamidah” é sunna para o imã e para quem faz o namâz sozinho. A congregação não o diz. Logo em seguida diz-se “Rabbanâ lakal-hamd” e fica-se de pé, reto, na qawma; depois, ao descer para a sajda dizendo “Allahu akbar”, põem-se no chão primeiro o joelho direito, depois o esquerdo, depois a mão direita, depois a esquerda, depois o nariz e a testa.

4. Sajda

Na sajda diz-se pelo menos três vezes “Subhâna Rabbiyal-a’lâ” (dizê-lo 3, 5, 7, 9 ou 11 vezes é mustahab). Os dedos das mãos devem estar juntos, voltados para a qibla, à altura das orelhas, e a cabeça entre as duas mãos. Pôr a testa num lugar limpo, isto é, sobre pedra, terra, madeira ou tapete, é fard, e foi dito que pôr também o nariz é wâjib. Pôr somente o nariz, sem motivo justificado, não é permitido (jâiz). Pôr somente a testa é makrûh.

Pôr no chão os dois pés, ou pelo menos um dedo de cada um deles, é fard ou wâjib. Isto é, se os dois pés não forem postos no chão, o namâz não é aceito, ou é makrûh. Na sajda, dobrar os dedos dos pés e voltar as suas pontas para a qibla é sunna.

Os homens mantêm os braços e as coxas afastados do ventre. Pôr as mãos e os joelhos no chão é sunna. Manter os calcanhares, no qiyâm, afastados um do outro à largura de quatro dedos e, no rukû, na qawma e na sajda, juntos, é sunna. Ao descer para a sajda, puxar para cima as barras das calças é makrûh, e também é makrûh começar o namâz com elas puxadas para cima e dobradas. Fazer o namâz com as mangas, as pernas das calças e as abas arregaçadas, dobradas ou curtas é makrûh. Fazer o namâz com a cabeça descoberta, por preguiça ou sem pensar na importância de fazê-lo com a cabeça coberta, é makrûh. Mas não dar importância ao namâz é kufr. Fazer o namâz com roupa suja e com roupa de trabalho também é makrûh.

5. Qa’da-i âkhira

Na última rak’a, é fard ficar sentado o tempo suficiente para recitar o “At-tahiyyâtu”. Ao sentar-se, não se aponta com os dedos das mãos. Os homens estendem o pé esquerdo no chão, com as pontas dos dedos voltadas para a direita, e sentam-se sobre esse pé. Mantêm o pé direito erguido; os seus dedos tocam o chão, e as pontas dos dedos ficam um pouco dobradas em direção à qibla. Sentar-se assim é sunna. As mulheres sentam-se fazendo o tawarruk, isto é, pondo as nádegas no chão. As suas coxas ficam próximas uma da outra. Põem o pé direito para fora, pelo lado direito. O pé esquerdo, com as pontas dos dedos voltadas para a direita, fica debaixo delas.

Será a lembrança dos amigos do Profeta,
Junto às árvores de salam, que te faz chorar?
Ou é o vento de Medina, dize, que te faz chorar,
Ou o relâmpago que à noite brilha do monte Idam?
Qasîda-i Burda