O TAWASSUL POR MEIO DE NOSSO MESTRE, O PROFETA
Sempre se fez tawassul1 por meio de nosso Mestre, o Profeta – antes de ele ser criado, depois de ser criado, durante a sua vida no mundo e depois de seu falecimento, no mundo do barzakh (do túmulo) –, e se fará também no Dia do Juízo, depois da ressurreição, na planície de Arasât, e no Paraíso. Wasîla é tudo aquilo que Allahu ta’âlâ fez causa da proximidade junto Dele e da satisfação das necessidades. O tawassul por meio de Rasûl-i akram, isto é, tomar nosso Mestre Rasûlullah como intermediário (wasîla) junto de Allahu ta’âlâ e pedir a sua ajuda e a sua intercessão, é permitido. Isso está entre as coisas que fizeram os salaf-i sâlihîn (os Companheiros, os Tâbi’în e os Taba’ at-Tâbi’în), os sábios e os demais muçulmanos. Nenhum muçulmano o considerou mau. Até hoje não se encontrou ninguém que não o aceitasse, a não ser os donos de crença corrompida. O pai dos homens, Âdam alaihis-salâm, quando foi enviado à terra, tomou nosso Mestre, o Profeta, como intermediário. Nosso amado Profeta contou-o assim num hadîth sharîf: “Quando Âdam (alaihis-salâm) foi tirado do Paraíso por causa de seu deslize, disse: ‘Ó meu Senhor! Perdoa-me pela honra de Muhammad.’ Allahu ta’âlâ disse: ‘Ó Âdam! Como conheceste Muhammad, se Eu ainda não o criei?’ Âdam (alaihis-salâm) disse: ‘Ó meu Senhor! Quando me criaste e me deste a alma, abri os olhos e vi escrito na borda do Arsh: “Lâ ilâha illallah, Muhammadun Rasûlullah”. Aquele cujo nome amas junto com o Teu nome é ele.’ Allahu ta’âlâ disse: ‘Disseste a verdade, ó Âdam! Dentre as Minhas criaturas, é ele quem Eu mais amo. Por teres pedido perdão pela honra dele, Eu te perdoei.’”2 Segundo uma narração, Ele disse: “Ele é um profeta que virá de tua descendência. Se não o tivesse criado, não teria criado nem a ti nem a teus filhos. Por o teres apresentado como intercessor, Eu te perdoei e te absolvi.”3
Há a esse respeito milhares de exemplos. Alguns deles vêm a seguir. Um homem cego dos dois olhos pediu a nosso Mestre Rasûlullah que fizesse dua para que seus olhos se abrissem. Rasûlullah (sallallahu alaihi wa sallam) disse: “Se quiseres, farei dua. Mas, se tiveres paciência e suportares, será melhor para ti.” O muçulmano cego disse: “Já não tenho forças para ter paciência. Imploro-te que faças dua.” Então nosso Profeta disse-lhe: “Nesse caso, faze a ablução e recita esta dua!”:
“Allahumma innî as’aluka wa atawajjahu ilaika bi-Nabiyyika Muhammadin Nabiyyir-rahma. Yâ Muhammad! Innî atawajjahu bika ilâ Rabbî fî hâjatî hâdhihî, li-tuqdâ lî. Allahumma shaffi’hu fiyya.”
O imam Nasâî, um dos sábios do hadîth, informa que, quando aquele homem recitou esta dua, Allahu ta’âlâ a aceitou e seus olhos se abriram. A respeito de tomar nosso Mestre Rasûlullah como intermediário, Uthmân ibn Hunayf conta este acontecimento: “Quando Uthmân ibn Affân era califa, um homem que passava por grande aperto, por ter vergonha de apresentar-se diante do califa, queixou-se a mim. Eu lhe disse: ‘Faze depressa a ablução! Vai à Masjid-i Sa’âdat! Faze a dua mencionada acima e dize o teu pedido.’ O pobre homem, depois de fazer a dua, foi ao lugar onde estava o califa, e levaram-no à sua presença. O califa fê-lo sentar-se sobre o seu próprio tapete de oração, ouviu a sua queixa e atendeu-a. O pobre homem, vendo que o seu assunto fora resolvido de repente, veio a mim cheio de alegria e disse: ‘Que Allahu ta’âlâ esteja satisfeito contigo! Se tu não tivesses falado ao califa, eu não me teria livrado deste aperto.’ Ele julgava que eu tinha falado com o califa.”
“(Ó Âdam!) Ele é um profeta que virá de tua descendência. Se não o tivesse criado, não teria criado nem a ti nem a teus filhos. Por o teres apresentado como intercessor, Eu te perdoei e te absolvi” Hadîth qudsî
Quando Umar era califa, houve uma vez uma seca. Bilâl ibn Hârith, um dos Companheiros, foi ao mausoléu de Rasûlullah e disse: “Yâ Rasûlallah! Tua umma está prestes a morrer de fome. Imploro-te que sejas intermediário para que chova.” Naquela noite, nosso Mestre Rasûlullah apareceu-lhe em sonho e disse: “Vai ao califa! Leva-lhe a minha saudação! Que saia para a dua da chuva!” Quando Umar saiu para a dua da chuva, começou a chover. Allahu ta’âlâ aceita as duas por amor àqueles a quem ama. Allahu ta’âlâ informou que ama muito Muhammad alaihis-salâm. Por isso, se alguém fizer uma dua dizendo: “Allahumma innî as’aluka bi-jâhi Nabiyyikal-Mustafâ”, a sua dua não será rejeitada. No entanto, tomar Rasûlullah como intermediário para pequenos assuntos do mundo não é conforme ao decoro. Burhânuddîn Ibrâhîm Mâlikî disse: “Um pobre que estava com muita fome foi à Hujra-i Sa’âdat e disse: ‘Yâ Rasûlallah! Tenho fome.’ Pouco depois veio alguém, levou o pobre para sua casa e saciou-lhe a fome. Quando o pobre disse que a sua dua fora aceita, o outro disse: ‘Meu irmão! Deixaste mulher e filhos e vieste de caminhos distantes, passando por dificuldades, para visitar Rasûlullah. Fica bem apresentar-se diante de Rasûlullah por um bocado de pão? Naquela elevada presença devias pedir o Paraíso e as dádivas eternas! O que aqui se pede, Allahu ta’âlâ não o rejeita.’ Os que alcançam a honra de visitar Rasûlullah devem fazer dua para que ele interceda por eles no Dia do Juízo.” Um dia, o imam Abû Bakr al-Muqrî estava sentado na Masjid-i Sa’âdat com o imam Tabarânî e com Abush-Shaykh. Como havia vários dias que não comiam nada, estavam com muita fome. O imam Abû Bakr, não aguentando mais, disse: “Tenho fome, yâ Rasûlallah!”, e retirou-se a um canto. Um homem dos sayyids veio com dois servos e disse: “Meus irmãos! Pedistes ajuda a meu avô Rasûlullah por causa da fome. Ele ordenou-me que vos saciasse.” Comeram juntos o que ele trouxera. O que sobrou, deixou-o com eles e foi-se. Um dos sábios do Islã, Abû Abdullah ibn Nu’mân Marrâkushî Tilimsânî (683 / 1284 d.C.), em seu precioso livro “Misbâh az-Zalâm”, descreve longamente centenas de muçulmanos que alcançaram seus desejos tomando nosso Mestre Rasûlullah como intermediário, e as duas que fizeram. Um dos que alcançaram seus desejos tomando Rasûlullah como intermediário é Muhammad ibn Munkadir. Ele conta: “Um homem deixara oitenta moedas de ouro com meu pai e partira para o jihâd. Dissera: ‘Guarda-as! Podes também ajudar com elas quem estiver em grande necessidade.’ Houve seca em Medina. Meu pai distribuiu todas as moedas de ouro aos que sofriam de fome. O dono das moedas veio e pediu-as. Meu pai disse: ‘Vem depois de uma noite.’ Foi à Hujra-i Sa’âdat e implorou a Rasûlullah até o amanhecer. À meia-noite veio um homem e disse: ‘Estende a mão!’ Deu-lhe uma bolsa de ouro e depois desapareceu. Meu pai, em casa, contou as moedas e, ao ver que eram oitenta, alegrou-se e entregou-as logo ao dono.”
Abû Abdullah Tilimsânî conta também neste seu livro um acontecimento que lhe sucedeu:
“No ano 637 (1239 d.C.), saímos da fortaleza de Sadr com um grupo de pessoas distintas. Vinha conosco um homem que nos servia de guia. Depois de andarmos algum tempo, acabou-se a nossa água. Começamos a procurar água. Eu, nesse meio tempo, afastei-me para fazer minhas necessidades. Nisso veio-me um sono terrível. ‘De qualquer modo, quando partirem, vão acordar-me’, pensei, e pus a cabeça no chão.
Quando acordei, encontrei-me completamente sozinho no meio do deserto. Meus companheiros me haviam esquecido e partido. A solidão encheu-me de um grande medo. Comecei a andar pelo deserto para a direita e para a esquerda. Não sabia onde estava nem para onde devia ir. Por toda parte havia areia lisa. Pouco depois escureceu. Da caravana com que viajávamos não havia sequer rastro. Eu estava completamente sozinho na escuridão da noite. Meu medo aumentou ainda mais. Aflito, comecei a andar mais depressa. Depois de andar algum tempo, muito sedento, cansado e esgotado, caí ao chão. Já perdera a esperança na vida e começava a sentir que a minha morte se aproximava. Estava num sofrimento indescritível; minha aflição e minha dor haviam chegado ao extremo. De repente veio-me uma ideia. Na escuridão da noite, reunindo todas as minhas forças, com sinceridade e de todo o coração, gemi mais uma vez: ‘Yâ Rasûlallah! Socorro! Peço-te que me ajudes, com a permissão de Allahu ta’âlâ!’ Mal acabara de dizer essas palavras, ouvi alguém chamar-me. Olhei para o lado de onde vinha a voz e vi, na escuridão da noite, uma pessoa que espalhava luz ao seu redor, vestida de roupas alvíssimas, que eu nunca vira até então, chamando-me. Aproximou-se de mim e tomou-me a mão. Naquele instante desapareceram todo o meu cansaço e toda a minha sede. Fiquei como quem nasceu de novo. Meu coração afeiçoou-se a ele de imediato. Andamos algum tempo de mãos dadas. Senti que vivia um dos momentos mais doces de minha vida. Ao passar uma colina de areia, vi as luzes da caravana com que eu viajava e ouvi as vozes de meus companheiros. Aproximamo-nos deles. O animal em que eu montava seguia-os por último. De repente veio e parou diante de mim. Ao ver minha montaria diante de mim, dei gritos de alegria. Quando gritei, a pessoa que viera comigo retirou a sua mão da minha. Depois tomou-me pela mão e fez-me montar em minha montaria. Depois disse: ‘Não despedimos de mãos vazias quem nos pede algo e quem busca a nossa ajuda’, voltou-se e foi-se. Então compreendi que era nosso Mestre Rasûlullah. Enquanto ele se afastava, viam-se as luzes que espalhava ao seu redor elevarem-se para o céu na escuridão da noite. Quando desapareceu de minha vista, voltei de repente a mim. ‘Como foi que não beijei as mãos e os pés de nosso Mestre Rasûlullah!’, lamentei-me; mas já era tarde, a oportunidade escapara.” Abul-Khayr al-Aqta’ passou cinco dias com fome em Medina. Foi até a Hujra-i Sa’âdat e saudou Rasûlullah. Disse-lhe que tinha fome. Retirou-se para um lado e dormiu. Em sonho viu que Rasûlullah vinha. À sua direita estava Abû Bakr as-Siddîq, à sua esquerda Umar al-Fârûq e à sua frente Alî al-Murtadâ.
Alî veio e disse: “Ó Abul-Khayr! Levanta-te; por que estás deitado? Rasûlullah vem aí!” Ele levantou-se de imediato. Rasûlullah veio e deu-lhe um grande pão. Abul-Khayr diz: “Como estava com muita fome, comecei logo a comer. Quando tinha comido a metade, acordei. Encontrei a outra metade em minha mão.”
“Quem sofrer algum dano, faça uma ablução perfeita e um namâz de duas rak’as! Depois diga: ‘Ó meu Senhor! Peço-Te. Imploro-Te tomando como intermediário o Teu Profeta Muhammad alaihis-salâm, que é misericórdia para os mundos. Ó Muhammad! Tomo-te como intermediário junto de meu Senhor para que Ele aceite o meu pedido. Ó meu Senhor! Faze-o meu intercessor!’” Hadîth sharîf
Também no livro “Misbâh az-Zalâm” se conta: Ahmad ibn Muhammad Sûfî diz: “Nos desertos do Hijaz perdi tudo o que tinha. Vim a Medina. Junto da Hujra-i Sa’âdat saudei Rasûlullah. Sentei-me num canto e adormeci. Nosso Mestre Rasûlullah apareceu e disse: ‘Vieste, Ahmad? Abre a palma da mão!’ Encheu-me a palma de ouro. Acordei. Minhas mãos estavam cheias de ouro.” O imam Samhûdî também conta em seu livro intitulado “História de Medina” um acontecimento que lhe sucedeu: “Deixei cair a chave de minha porta. Não a encontrei. Vim até a Hujra-i Sa’âdat e disse: ‘Yâ Rasûlallah! Perdi a minha chave e não posso entrar em casa!’ Nesse momento veio uma criança. Mostrando a chave que tinha na mão, disse: ‘Encontrei isto. Será teu?’”
Kilisli Mustafa Işkî Efendi diz em seu livro de história “Mevârid-i Mecîdiyye”: “Vivi vinte anos em Meca. Juntei sessenta moedas de ouro e, no ano 1247 da Hégira (1831 d.C.), vim com minha mulher e meus filhos a Medina. No caminho o dinheiro acabou. Hospedei-me em casa de um conhecido e vim à Hujra-i Sa’âdat. Pedi ajuda a Rasûlullah. Três dias depois, veio à casa onde estávamos um homem de posição e disse que tinha alugado uma casa para mim. Mandou levar para lá os meus pertences. Pagou o aluguel de um ano. Alguns meses depois adoeci e fiquei um mês de cama. Em casa não restou nada para comer nem para vender. Com a ajuda de minha mulher, quis subir ao terraço e, voltado para o mausoléu de Rasûlullah, contar-lhe o meu aperto e pedir ajuda. Quando levantei as mãos, tive vergonha de pedir coisas do mundo. Não consegui dizer nada. Desci para o meu quarto. No dia seguinte veio alguém e disse que certo cavalheiro me mandava de presente estas moedas de ouro. Recebi a bolsa. Embora a nossa vida se tivesse arranjado, não conseguia livrar-me da doença. Com ajuda, vim até a Hujra-i Sa’âdat e pedi cura a Rasûlullah. Saí da mesquita e caminhei para casa sem pedir ajuda a ninguém. Ao entrar em casa, já não restava nada da doença. Para não atrair o mau-olhado, saí à rua por alguns dias apoiado numa bengala. Mas o dinheiro tinha acabado. Deixando mulher e filhos no escuro, vim à Masjid an-Nabawî. Depois do namâz da noite, contei o meu aperto a Rasûlullah. No caminho, uma pessoa que eu não conhecia aproximou-se de mim e pôs-me na mão uma bolsa. Dentro havia quarenta e nove moedas de ouro de nove kuruş cada uma. Comprei velas e as coisas necessárias e voltei para casa.”
No segundo volume da tradução do livro “Şakâyık-i Nu’mâniyye” diz-se: o grande sábio do Islã Mawlânâ Shamsaddîn Muhammad ibn Hamza Fanârî, o primeiro shaykh al-Islâm do Estado otomano e o mujaddid de seu tempo, teve uma catarata nos olhos e deixou de ver. Uma noite, nosso Mestre Rasûlullah disse-lhe em sonho: “Faze o tafsîr da Sura Tâ-Hâ!”, e ele disse: “Assim como não tenho forças para fazer o tafsîr do Alcorão al-Karîm em tua elevada presença, também os meus olhos não veem.” Nosso Mestre Rasûlullah, o médico dos profetas, tirou de sua khirqa abençoada um pedaço de algodão, umedeceu-o com a sua saliva abençoada e colocou-o sobre os olhos dele. Molla Fanârî acordou, encontrou o algodão sobre os olhos, tirou-o e começou a ver. Louvou a Allahu ta’âlâ e agradeceu-Lhe. Guardou os fios do algodão e deixou como recomendação que, quando morresse, fossem colocados sobre os seus olhos. Quando faleceu em Bursa, no ano 834 (1431 d.C.), cumpriram a sua recomendação.
O califa abássida Abû Ja’far Mansûr conversava com o imam Mâlik dentro da Masjid an-Nabawî. O imam Mâlik disse: “Ó Mansûr! Esta é a Masjid-i Sa’âdat! Fala em voz baixa! Haqq ta’âlâ, dizendo, em sentido, na Sura al-Hujurât: ‘Não eleveis as vossas vozes acima da voz de Rasûlullah!’4, repreendeu um grupo de pessoas. E, com o versículo sagrado ‘Os que baixam as suas vozes junto de Rasûlullah…’5, louvou os que falam em voz baixa. Mostrar respeito a Rasûlullah depois de seu falecimento é como mostrar-lhe respeito quando vivo.” Mansûr, inclinando a cabeça, perguntou: “Ó Abû Abdullah! Devo ficar voltado para a qibla ou para o Qabr-i Sa’âdat?” O imam Mâlik disse: “Não desvies o rosto de Rasûlullah! Aquele sublime Profeta (sallallahu ta’âlâ alaihi wa sallam), o intercessor do Dia do Juízo, será no Dia do Juízo o intermediário para a salvação tua e de teu pai Âdam alaihis-salâm. Deves voltar-te para o Qabr-i Sa’âdat e, agarrando-te à alma abençoada de Rasûlullah, pedir intercessão! No sexagésimo quarto versículo sagrado da Sura an-Nisâ foi dito, em sentido:
“Se os que foram injustos consigo mesmos (os que causaram dano a si mesmos) viessem a ti e pedissem perdão a Allahu ta’âlâ, e se o Meu Rasûl também pedisse perdão por eles, encontrariam Allahu ta’âlâ Aceitador do arrependimento e Misericordioso.” Este versículo sagrado promete que será aceito o arrependimento dos que tomam Rasûlullah como intermediário.” Então Mansûr levantou-se de onde estava, pôs-se de pé diante da Hujra-i Sa’âdat e começou a implorar: “Ó meu Senhor! Neste versículo sagrado prometeste aceitar o arrependimento dos que tomam o Teu Rasûl como intermediário. Também eu venho à elevada presença do Teu sublime Profeta e peço-Te perdão. Perdoa-me também a mim, como aos Teus servos que pediram perdão quando ele estava vivo e a quem perdoaste! Ó meu Senhor! Imploro-Te tomando como intermediário o Teu sublime Profeta, que é o Nabiyy ar-Rahma (o Profeta da misericórdia). Ó Muhammad alaihis-salâm, o mais excelso dos profetas! Fazendo tawassul por ti, implorei a meu Senhor. Ó meu Senhor! Faze desse sublime Profeta o meu intercessor!” Fez a dua de pé, de costas para a qibla e com o rosto voltado para a janela da Muwâjaha-i Sa’âdat. O Minbar-i Nabawî ficava à sua esquerda. O conselho que o imam Mâlik deu ao califa Mansûr mostra que os que fazem dua diante da Hujra-i Sa’âdat devem estar muito despertos. Foi dito que não convém que permaneçam muito tempo em Madîna al-Munawwara os que não forem capazes de mostrar o decoro e o respeito dignos daquele lugar. Um camponês da Anatólia vivera muitos anos em Madîna al-Munawwara, casara-se e entrara num certo serviço na Hujra-i Sa’âdat. Um dia contraiu uma doença com febre e teve vontade de beber ayran. Passou-lhe pelo coração o pensamento: “Se eu estivesse em minha aldeia, mandaria fazer ayran de iogurte e beberia.” Naquela noite, Rasûlullah apareceu em sonho ao Shaykh al-Haram e ordenou que o serviço daquele homem fosse dado a outro. Quando o Shaykh al-Haram disse: “Yâ Rasûlallah! Esse serviço é feito por fulano, de tua umma”, ele disse: “Dize a esse homem que volte para a sua aldeia e beba ayran!..” No dia seguinte, quando essa ordem lhe foi comunicada, o camponês disse: “Às ordens!”, e partiu para a sua terra.
“Se os que foram injustos consigo mesmos viessem a ti e pedissem perdão a Allahu ta’âlâ, e se o Meu Rasûl também pedisse perdão por eles, encontrariam Allahu ta’âlâ Aceitador do arrependimento e Misericordioso” Nisâ: 64
Se um simples pensamento que passou pelo coração causou tanto dano, deve-se compreender daqui quão grande será o dano – que Allah nos guarde – de uma palavra inconveniente, ainda que dita por brincadeira, ou de um gesto contrário ao decoro.
Tu és a fé no coração do crente que te ama,
Ele jamais terá tristeza: tu és o remédio de sua dor,
Espera a tua intercessão; tu és o soberano de seu coração,
Quem espera socorro certamente o alcança, yâ Rasûlallah.
A importância e a excelência de recitar salawât sharîfa por nosso Mestre Rasûlullah
Recitar salawât sharîfa por nosso Mestre, o Profeta, quando o seu nome é dito, ouvido ou escrito, como expressão de respeito e reverência, está entre os nossos deveres mais importantes. No Alcorão al-Karîm, no quinquagésimo sexto versículo sagrado da Sura al-Ahzâb, foi dito, em sentido:
“Certamente, Allahu ta’âlâ e Seus anjos fazem salât sobre o Profeta (para exaltar a sua honra e a sua glória). Ó vós que credes! Fazei também vós salât e salâm sobre ele e submetei-vos a ele de coração.”
Os sábios do tafsîr informaram que a palavra “salât” mencionada neste versículo sagrado significa, da parte de Allahu ta’âlâ, misericórdia; da parte dos anjos, pedido de perdão (istighfâr); e da parte dos crentes, dua. Todos os sábios do Islã declararam por unanimidade que recitar salawât uma vez na vida é fard. Recitá-la uma vez cada vez que se diz, ouve, lê ou escreve o seu nome é wâjib; quando o nome se repete, é mustahab.
Quem pede alguma coisa a Allahu ta’âlâ deve primeiro louvar e glorificar a Allahu ta’âlâ e depois recitar a salât por nosso Mestre Rasûlullah. Uma dua assim é muito digna de ser aceita. A dua feita entre duas salât (no começo e no fim da dua) não é rejeitada. Abû Talha conta: “Entrei na presença de Rasûlullah. Vi nele uma alegria e um contentamento que nunca antes tinha visto. Quando lhe perguntei a causa, disse: ’Como não me alegrarei? Há pouco Jibrîl (alaihis-salâm) trouxe uma boa nova: Allahu ta’âlâ diz: se alguém de tua umma te dirigir uma salawât, Allahu ta’âlâ, em troca, lhe fará dez salawât.’”6
Alguns dos hadîths sharîfs a esse respeito são estes:
“Que seja esfregado no pó o nariz daquele junto de quem se menciona o meu nome e que não me dirige a salât e a saudação. Que seja esfregado no pó também o nariz daquele que vê entrar e sair o mês de Ramadã sem que os seus pecados sejam perdoados. Que seja esfregado no pó também o nariz daquele que alcança a velhice de seus pais e não consegue entrar no Paraíso conquistando a satisfação deles.”
“Aquele junto de quem se menciona o meu nome e que não me dirige a salât e a saudação é o mais avarento dos avarentos.” Abû Humayd as-Sâ’idî informa: “Alguns dos Companheiros perguntaram a nosso Mestre Rasûlullah: ‘Yâ Rasûlallah! Como te dirigiremos a salât e a saudação?’ Nosso Mestre Rasûlullah disse: ‘Dizei: Allahumma salli alâ Muhammadin wa azwâjihî wa dhurriyyatihî kamâ sallaita alâ Ibrâhîma wa bârik alâ Muhammadin wa azwâjihî wa dhurriyyatihî kamâ bârakta alâ Ibrâhîma innaka Hamîdun Majîd.’”7
Algumas salawât são estas:
“Alaihis-salâm”.
“Sallallahu alaihi wa sallam”.
“Alaihis-salâtu was-salâmu wat-tahiyya”.
“Allahumma salli alâ sayyidinâ Muhammad”.
“Allahumma salli alâ Muhammadin wa alâ âlihî wa sahbihî ajma’în”.
“Alaihi wa alâ jamî’i minas-salawâti atammuhâ wa minat-tahiyyâti aymanuhâ”.
“Allahumma salli alâ Muhammadin wa alâ âli Muhammad, kamâ sallaita alâ Ibrâhîma wa alâ âli Ibrâhîm…”
Uma pessoa contou: Um de meus amigos, numa carta que me enviou, escrevera em todo lugar onde aparecia o nome abençoado de Rasûlullah “sallallahu alaihi wa sallam taslîman kathîran kathîrâ”. Quando o encontrei e lhe perguntei a causa, disse-me: “Na minha juventude copiei livros de hadîth. Cada vez que escrevia o nome abençoado de Rasûlullah, não escrevia a salawât. Em sonho vi o Mestre dos mundos e fui até ele. Ele desviou de mim o seu rosto abençoado. Passei para o outro lado; desviou-o de novo. Pus-me diante dele e disse: ‘Yâ Rasûlallah! Por que desvias de mim o teu rosto?’ Ele disse: ‘Porque, quando escrevias o meu nome em teu livro, não escrevias a salât por mim!’ Desde então escrevo sempre o seu nome abençoado junto com a salawât.”
Nos hadîths sharîfs foi dito:
“Quem me dirigir uma vez a salât, Allahu ta’âlâ lhe fará dez vezes salât (misericórdia), lhe perdoará dez pecados e elevará dez graus a sua posição.”
“No Dia do Juízo, o mais próximo de mim, o mais digno de minha intercessão, é quem mais me dirige a salât e a saudação.” Haqq ta’âlâ disse a Mûsâ: “Ó Mûsâ, queres que Eu esteja mais perto de tua língua do que a tua palavra, de teu coração do que o teu pensamento, de teu corpo do que a tua alma, de teu olho do que a sua luz?” Quando ele disse: “Sim, ó meu Senhor!”, Allahu ta’âlâ disse: “Então recita muitas salawât por Muhammad (sallallahu alaihi wa sallam).” Depois disse: “Ó Mûsâ, queres não padecer sede no Dia do Juízo?” Quando ele disse: “Sim, ó meu Senhor!”, Allahu ta’âlâ disse: “Então recita muitas salawât por Muhammad (sallallahu alaihi wa sallam).”8
Nosso Mestre, o Profeta, disse:
“No Dia do Juízo, em cada etapa, o mais próximo de mim dentre vós é aquele que no mundo recita mais salawât por mim. A quem recitar por mim cem salawât no dia e na noite de sexta-feira, Allahu ta’âlâ satisfará cem necessidades: setenta da outra vida e trinta deste mundo. Depois Allahu ta’âlâ faz que um anjo traga essas salât ao meu túmulo. Elas são como um presente que vos chega. Esse anjo me informa o nome, a linhagem e a tribo de quem as enviou. Inscreve-o numa página branca que está junto de mim. O meu saber depois da morte é como o meu saber em vida.”9
“Quem me dirigir uma vez a salât, Allahu ta’âlâ lhe fará dez vezes salât (misericórdia), lhe perdoará dez pecados e elevará dez graus a sua posição” Hadîth sharîf
“Quando chega a quinta-feira, Allahu ta’âlâ envia anjos que trazem cadernos de prata e cálamos de ouro. Eles registram os que, na quinta-feira e na noite de sexta-feira, proferem muitas salawât pelo Profeta.” “Se dois muçulmanos se encontram, fazem a musâfaha (apertam-se as mãos) e proferem salawât pelo Profeta, seus pecados passados e futuros são perdoados antes que se separem.” “Quando um de vós entrar na mesquita, que saúde o Profeta e diga: ‘Ó meu Senhor, protege-me do shaytân!’”10
Segundo um relato: “Ao sair da mesquita, que recite: ‘Allahumma innî as’aluka min fadlika.’”
Se no início da dua não houver louvor (hamd) a Allahu ta’âlâ e salawât por Rasûlullah, a dua fica atrás de um véu. A dua que começa com o louvor e as salawât é aceita. Enquanto não se recitam salawât por Rasûlullah e por sua família (Âl), há um véu entre a dua e o céu. Quando se recitam as salawât, esse véu se rasga e a dua sobe ao céu. Se não se recitam, a dua é devolvida.
Se numa reunião não se menciona Allahu ta’âlâ e não se proferem salawât por Rasûlullah, um chicote paira sobre os que ali estão: se Ele quiser, castiga-os; se quiser, perdoa-os.
“Aquele cujo ouvido zumbir, que se lembre de mim e recite salawât por mim.”
“Quem tiver a intenção de fazer algo, que se aconselhe sobre isso. Allahu ta’âlâ lhe concederá, nessa tarefa, o caminho certo (rushd). Se alguém quiser dizer uma palavra e a esquecer, que recite salawât por mim. Pois na salât que ele recita por mim há uma compensação para a sua palavra. É de esperar que então se lembre dela.”11
“Não há bem algum na boa obra que não comece com o nome de Allah e com a salât por mim; toda a sua bênção lhe é retirada.”12 Quando faleceu Abû Hafs Kâghidî, um dos grandes do Islã, alguém o viu em sonho e perguntou-lhe: “Como Allahu ta’âlâ te tratou?” Ele respondeu: “Teve misericórdia de mim, perdoou-me e pôs-me no Paraíso.” O outro perguntou: “Por qual razão?” E ele respondeu: “Detiveram-me entre os anjos. Contaram os meus pecados e as salawât que eu havia proferido por Rasûlullah, e acharam as salawât em maior número. Então Allahu ta’âlâ disse-lhes: ‘Ó Meus anjos! O vosso trabalho terminou. Não peçais outra conta. Levai-o ao Meu Paraíso!’”
Um dos salaf conta: “Faleceu um amigo meu, com quem eu havia estudado hadîth. Vi-o em sonho, vestido com trajes verdes do Paraíso. Quando lhe perguntei o motivo, disse: ‘Em cada hadîth em que encontrava o nome de Rasûlullah, eu escrevia junto dele sallallahu alaihi wa sallam. Haqq ta’âlâ deu-me assim a recompensa disso.’”
Outro dos salaf conta ainda: “Faleceu um vizinho meu, que era escrivão. Vi-o em sonho e perguntei-lhe como Allahu ta’âlâ o havia tratado. Disse-me que Allahu ta’âlâ o perdoara. Quando lhe perguntei por quê, respondeu: ‘Porque, cada vez que escrevia o nome de Rasûlullah, escrevia junto dele as palavras sallallahu alaihi wa sallam.’” Abû Sulaymân Dârânî conta: “Quando escrevia hadîths, cada vez que escrevia o nome honrado de nosso Profeta, eu escrevia sallallahu alaih, mas não escrevia as palavras wa sallam. Vi-o em sonho, e ele me disse: ‘Ó Abû Sulaymân! Quando escreveres o meu nome num hadîth, escreve também, junto com a salât, as palavras wa sallam. São quatro letras. Por cada letra há dez recompensas. Se não as escreves, perdes quarenta recompensas.’”
Outra pessoa tinha o mesmo costume. Rasûlullah disse-lhe em sonho: “Que tens tu, que não escreves por inteiro a salât por mim?”
Abû Bakr as-Siddîq disse: “Quem tem medo de esquecer, que recite muitas salawât por Rasûlullah.”
Muhammad ibn Sa’îd ibn Mutarrif, um dos grandes dentre os virtuosos, conta: “Todas as noites, ao deitar-me, eu recitava certo número de salawât. Uma noite vi Rasûlullah em sonho. Ele entrou em meu quarto, e o quarto encheu-se de nûr. Depois veio em minha direção e disse: ‘Deixa-me beijar essa tua boca que recita tantas salawât por mim.’ Eu, envergonhado de oferecer a boca, ofereci-lhe a face. Ele a beijou com seus lábios abençoados. Acordei cheio de alegria. Encontrei o quarto repleto de perfume de almíscar. Durante oito dias aquele perfume não saiu de minha face.” Quando faleceu Hallâd ibn Kathîr, um dos grandes dos salaf, encontraram debaixo de sua cabeça um papel em que estava escrito: “Este é o certificado de libertação do Inferno de Hallâd ibn Kathîr.” Perguntaram então a seus parentes: “Que obras ele praticava?” Eles responderam: “Todas as sextas-feiras proferia salawât.” No livro Zayn al-Majâlis, do shaykh Aynî, está escrito: Rasûlullah (sallallahu alaihi wa sallam) disse: “No Dia do Juízo, três grupos de pessoas estarão debaixo do Arsh, onde não haverá outra sombra além da sua.” Perguntaram: “Quem são eles?” E ele disse: “Os que livram a minha umma da aflição, os que fazem reviver a minha sunna e os que proferem muitas salawât por mim.”
O shaykh Abû Mûsâ Darîrî conta: “No mar, fomos apanhados por uma tempestade violenta. Todos choravam com medo da morte. Nesse estado, o sono me venceu. Vi em sonho Rasûl-i akram. Ele me ordenou que dissesse aos que estavam no navio que recitassem mil vezes: ‘Allahumma salli alâ sayyidinâ Muhammadin wa alâ âli sayyidinâ Muhammad, salâtan tunjînâ bihâ min jamî’il-ahwâli wal-âfât, wa taqdî lanâ bihâ jamî’al-hâjât, wa tutahhirunâ bihâ min jamî’is-sayyiât, wa tarfa’unâ bihâ indaka a’lad-darajât, wa tuballighunâ bihâ aqsal-ghâyât min jamî’il-khayrâti fil-hayâti wa ba’dal-mamât.’ Ainda não a havíamos recitado trezentas vezes quando a tempestade amainou e nos salvamos.” Recomenda-se recitar esta salât em toda questão importante e em toda desgraça, calamidade e terremoto.
Noite e dia, em minha língua, salât e salâm à tua alma abençoada, ó Orgulho da humanidade (Fakhr al-Anâm)!
Nos livros dignos de confiança há mais de quarenta hadîths sobre o modo de fazer a salât.
Um deles é o seguinte:
“Aquele cujo ouvido zumbir, que se lembre de mim e recite salawât por mim” Hadîth sharîf
Allahumma salli alâ Muhammadin wa alâ âli Muhammad, kamâ sallayta alâ Ibrâhîma wa alâ âli Ibrâhîm, wa bârik alâ Muhammadin wa alâ âli Muhammad, kamâ bârakta alâ Ibrâhîma wa alâ âli Ibrâhîm, innaka hamîdun majîd.
Allahumma salli wa sallim wa bârik warham alâ sayyidinâ Muhammadin huwa sayyidul-arabi wal-ajam.
Wa imâmi Makkatil-mukarramati wal-Madînatil-munawwarati wal-haram. Allamal-insâna mâ lam ya’lam.
Asluhû nûrun wa nasluhû Âdam.
Ba’thuhû muakhkharun wa khalquhû muqaddam.
Ismuhush-sharîfu maktûbun alal-Lawhil-mahfûzi biyâqûtil-qalam.
Wa jismuhush-sharîfu madfûnun fil-Madînatil-munawwarati wal-haram.
Yâ layta aktahilu turâballadhî tahtal-qadam.
Fa tûbâ thumma tûbâ liman daâ wa tabi’ahû wa liman aslama sâhibash-shafâ’ati lil-âlamîn.
Qâilan yâ Rabbî! Sallim ummatî, ummatî, wâ ummatâ yâ dhal-lutfi wal-karam.
Fa yunâdil-munâdî min qibalir-Rahmân, qabiltu shafâ’ataka yâ Nabiyyal-muhtaram.
Udkhulul-jannata lâ khawfun alaikum wa lâ huznun wa lâ alam.
Thumma radiyallahu ta’âlâ an Abî Bakrin wa Umara wa Uthmâna wa Aliyyin dhil-karam.
Wa sallallahu alâ sayyidinâ Muhammadin wal-hamdu laka yâ Rabbal-âlamîn.
Bihurmati Sayyidil-mursalîn.
Quando a brisa da manhã lhe tocava os cabelos,
O ar enchia-se de almíscar e de âmbar.
Ao brilho de seus dentes de pérola, à noite,
Se uma agulha caísse, achava-se, ó mestre.
À luz de seu peito, nas noites escuras, jovens e velhos caminhavam pela estrada.
Quando aquele amado do Haqq apontou
Com o dedo para a lua, ela partiu-se em duas.
Quando suava, cada gota de suor tornava-se rosa,
E colhiam com alegria as rosas de seu suor.
Aquele rei do mundo plantou uma tamareira,
E na mesma hora em que a plantou ela deu fruto.
Ainda que se contassem sem cessar seus milagres até o Dia da Reunião,
Por mais Dias de Reunião que houvesse, não chegariam ao fim.
Se quereis salvar-vos do fogo,
Com amor, com ardor, recitai a salât!
As-salâtu was-salâmu alaika yâ Rasûlallah!
As-salâtu was-salâmu alaika yâ Habîballah!
As-salâtu was-salâmu alaika yâ Nûra Arshillah!
