Meu Amado Profeta

OS DEVERES RELIGIOSOS PARA COM O FALECIDO

O que se faz quando aparecem os sinais da morte

Os sinais de que a morte se aproxima são o afrouxar e o alongar dos pés, o entortar do nariz e o afundar das têmporas. Um doente assim é deitado sobre o lado direito, com o rosto voltado para a qibla. Deitá-lo assim é sunna. Também é permitido deitá-lo de costas, com os pés voltados para a qibla. Hoje é assim que se faz. Mas deve-se pôr algo debaixo da cabeça. Assim o rosto fica voltado para a qibla. Se isto for difícil, é permitido também deitá-lo da maneira que lhe for mais fácil. Ao fazer o talqîn da kalima-i tawhîd, é bom dizer também “Muhammadur-Rasûlullah”. Os sinais da morte são o enrijecimento, o esfriamento e o mau cheiro. Se a morte for percebida antes destes sinais [compreende-se que a respiração parou quando o espelho posto diante da boca não se embaça, e que o coração parou, pelo pulso], é sunna fechar os olhos do morto e atar-lhe o queixo.

O que se faz depois do falecimento

Fechar-lhe os olhos e atar-lhe o queixo é sunna. O queixo é atado por cima da cabeça com um pano largo. Ao fechar-lhe os olhos, é sunna dizer “Bismillahi wa alâ millati Rasûlillah” e recitar a sua dua. É sunna, antes que o corpo esfrie, dobrar e estender os dedos das mãos, os cotovelos e os joelhos, deixando os braços e as pernas retos. Assim fica fácil lavá-lo e envolvê-lo na mortalha. Antes que esfrie, tiram-se-lhe as roupas e cobre-se o corpo com um lençol largo e leve. Uma ponta do lençol é posta debaixo da cabeça, e a outra, debaixo dos pés. Sobre o ventre, por cima ou por baixo do lençol, põe-se alguma coisa [uma faca ou outro ferro], para que não inche. Convém que pese mais de cem gramas. Lavar, amortalhar, fazer o namâz fúnebre (janâza) e enterrar é fard-i kifâya. Isto é, quando o fazem tantas pessoas quantas forem necessárias, deixa de ser fard para os demais. É permitido também que uma criança o lave. Não havendo mulheres, o homem não pode lavar a mulher. Mas, estando o corpo coberto da cabeça aos pés, um parente dela – ou, não havendo parentes, outra pessoa –, envolvendo a mão num pano e metendo a mão debaixo da cobertura, faz-lhe o tayammum. Pois a awra do morto é como a awra do vivo. Tocar o lugar para o qual é harâm olhar é também harâm. O melhor é ensinar uma criança e fazer que ela lave o corpo. No madhhab hanafita, o marido não pode lavar a esposa nem tocá-la. Pois, quando a mulher morre, o nikâh desfaz-se imediatamente. Olhar para ela é permitido. Que o marido lave a esposa é permitido nos outros três madhhabs. Que a esposa lave o marido é permitido também no madhhab hanafita. Pois, depois do falecimento do marido, o nikâh dura até terminar a idda [quatro meses e dez dias]. O homem não pode lavar a mulher, nem a mulher o homem. Envolvendo a mão num pano, faz-lhe o tayammum. O homem que faz o tayammum não pode olhar para os braços de uma mulher estranha. Se ela for sua parenta, não precisa envolver a mão no pano. Pois é permitido olhar e tocar os braços e o rosto de uma parenta mahram. Se só se encontrar a cabeça de uma pessoa, ou a metade do corpo, não é lavada e não se faz o seu namâz. É enterrada assim mesmo. Se se encontrar mais da metade do corpo, ainda que sem a cabeça, ou a metade do corpo junto com a cabeça, é lavada e faz-se o seu namâz. É mustahab que quem vai lavar o morto faça antes o ghusl. É makrûh que o lave quem está junub ou a mulher que está em hayd. A água com que se lavou o morto torna-se mâ-i musta’mal (água usada). Torna-se najis, impura. Por isso, não deve respingar sobre os que lavam, e estes devem cingir-se com um avental. Depois de lavado, o morto fica puro. No lugar da lavagem não entra ninguém além de quem lava e do seu ajudante. Os que lavam devem ser pessoas de confiança. Contam os sinais de felicidade que veem no morto e não contam os sinais de desgraça. Não divulgam os defeitos do morto. O tutor (walî) do morto pode entrar. Nosso Mestre Rasûlullah (sallallahu alaihi wa sallam) foi lavado por Fadl, filho de Abbâs, e por Alî (radiyallahu anhumâ). Usâma (radiyallahu anh) derramava a água. Abbâs (radiyallahu anh) entrava e saía. O que causa sofrimento ao vivo causa-o também ao morto. Por isso, não é lavado com água muito fria nem muito quente. [Para que não cheire mal, também não é posto em câmara frigorífica. Para que não cheire mal, deve ser enterrado depressa, e não se deve fazê-lo esperar pelos que vêm de longe.] Não é permitido lavá-lo com água de Zamzam.

“Morrei antes de morrer. Pedi contas a vós mesmos antes que vos peçam contas!” Hadîth sharîf

A lavagem do morto

Em volta da mesa de lavagem (sarîr), acende-se primeiro bakhûr, passando-o três vezes ao redor e perfumando-a com o seu fumo. Cinco vezes também é permitido. Bakhûr é uma erva. Mistura-se a ela serragem de agár (madeira de agár, Aquilaria) e a resina da árvore chamada estoraque, põe-se tudo sobre o fogo num recipiente, e expõe-se a mesa de lavagem à fumaça que sai. A mesa deve ter a altura do umbigo e ser um pouco inclinada. Prepara-se água fervida com folhas de sidr ou com saponária e depois amornada, ou água em que se pôs a substância branca e perfumada chamada kâfûr (cânfora). A água não deve ser muito quente e deve ser salgada. A água fresca e salgada retarda a decomposição. É sunna fazer a intenção ao lavar o morto. Lavado sem intenção, ele fica puro, mas o fard não se cumpre. O morto, coberto, é deitado de costas, ou da maneira que for mais fácil, sobre a mesa perfumada. É lavado com a parte entre o umbigo e o joelho coberta. Pois a awra da mulher diante das mulheres é como a awra do homem diante dos homens. É sunna deitá-lo sobre a mesa voltado para a qibla. Ao morto, ainda que seja criança, faz-se primeiro a ablução. Mas não se lhe põe água na boca nem no nariz; limpam-se com um pano. Se entrar água na boca, será causa de uma decomposição mais rápida. Primeiro lava-se o rosto. Depois lavam-se os braços, faz-se o mash (passar a mão molhada) na cabeça, nas orelhas e na nuca, e lavam-se os pés. A cabeça e a barba lavam-se com khatmî (malvaísco) ou com sabão. Depois vira-se o morto sobre o lado esquerdo e lava-se, derramando água, o lado direito. A água deve correr até as partes que tocam a tábua da mesa. Assim se lava, derramando água três vezes. Depois, do mesmo modo, deita-se sobre o lado direito e lava-se o lado esquerdo, derramando água três vezes, do ombro até os pés. Depois senta-se o morto e aperta-se-lhe levemente o ventre. Se sair alguma coisa, lava-se [isto é, retira-se derramando água]. Depois deita-se de novo sobre o lado esquerdo e lava-se outra vez o lado direito [isto é, derrama-se água do ombro até os pés]. Assim o morto terá sido lavado três vezes, de acordo com a sunna. Se, depois de lavado, sair algo que quebra a ablução, não se lava de novo nem se faz de novo a ablução. Se caírem cabelos, põem-se dentro da mortalha. Também do vivo é sunna enterrar as unhas, os cabelos e os dentes. Depois de lavado, enxuga-se com um pano sobre a mesa. Entre os cabelos e a barba põe-se uma mistura de substâncias perfumadas chamada hanût, ou kâfûr. É makrûh pôr açafrão. Sobre os membros com que ele fazia a sajda [a testa, o nariz, os joelhos, os dedos das mãos e dos pés] põe-se algodão polvilhado de kâfûr. É permitido pôr algodão na boca, no nariz, nos orifícios das orelhas e nos olhos. Também o afogado é lavado três vezes, ou é movido três vezes na água com a intenção de lavá-lo. Também o morto molhado pela chuva é lavado.

“O morto no túmulo é como alguém que está a ponto de se afogar no mar: espera sempre uma dua que lhe venha do pai, da mãe, dos irmãos e dos amigos” Hadîth sharîf

Como se amortalha o homem

É sunna que a mortalha do homem seja de três peças. Em Istambul é costume comprar para a mortalha sete metros de cambraia para os homens e oito metros para as mulheres. A largura é de 130–140 centímetros. 1. Izâr: vai da cabeça aos pés. A largura é de mais de um metro. 2. Qamîs [camisa longa, como uma túnica]: o seu comprimento é o dobro da distância dos ombros aos pés. Dobra-se esse comprimento ao meio e, no lugar da dobra, faz-se um corte reto por onde passe a cabeça. Não se cortam mangas nem abas. 3. Lifâfa: é mais comprida que o corpo, passando da cabeça e dos pés, e é mais larga. As pontas, acima da cabeça e abaixo dos pés, são franzidas e atadas com uma tira de pano. O imam Rabbânî diz que uma mortalha de mais de três peças é bid’a. É bom perfumar com fumo cada uma das peças da mortalha, separadamente, antes de pô-las no esquife. É proveitoso fazer a mortalha com a roupa de baixo ou com as vestes dos sâlihs e dos awliyâ, ou pô-las dentro da mortalha, sobre o rosto ou sobre o peito. Dentro do esquife estende-se primeiro a lifâfa. Depois, sobre ela, estende-se o izâr. Põe-se também o qamîs dentro do esquife. Depois passa-se o bakhûr três ou cinco vezes em volta do esquife. Sobre as três peças da mortalha polvilha-se hanût. Depois de enxugado o morto, tira-se o qamîs do esquife, passa-se pela cabeça e estende-se metade pela frente e metade por trás, até os pés. Deita-se o morto dentro do esquife, sobre o izâr, dizendo a basmala. Fecha-se sobre o morto primeiro o lado esquerdo do izâr, depois o direito. A lifâfa fecha-se do mesmo modo. Isto é, as bordas direitas ficam por cima das bordas esquerdas.

Como se amortalha a mulher

É sunna que a mortalha da mulher seja de cinco peças: qamîs, izâr, lifâfa, himâr e pano do peito. O himâr é um lenço com cerca de setenta e cinco centímetros de comprimento. As pontas caem sobre o rosto; não se enrola na cabeça. O pano do peito vai dos ombros aos joelhos. Dentro do esquife estende-se primeiro a lifâfa. Depois, sobre ela, estende-se o izâr. Põe-se também o qamîs dentro do esquife. Antes ou depois do izâr estende-se o pano do peito. Fechado o qamîs da mulher, dividem-se os cabelos em duas partes e põem-se dos dois lados sobre o peito, por cima do qamîs. Sobre os cabelos põe-se o himâr e, por cima dele, fecha-se o izâr. Antes ou depois do izâr, envolve-se o pano do peito. Depois fecha-se a lifâfa. As pontas da lifâfa, junto à cabeça e aos pés, e o meio [isto é, à altura do estômago] são atados, envolvendo-os com uma tira de pano. O menino grande é amortalhado como o homem. A menina grande é amortalhada como a mulher. O menino pequeno é envolto numa peça de mortalha, e a menina pequena em duas. A criança que nasce morta, o feto abortado e um membro humano [por exemplo, um braço] não são amortalhados; envolvem-se num pano e são enterrados. O esquife deve ser feito de tábuas encaixadas, sem pregos. Depois de uma breve dua e de se perdoarem mutuamente os direitos (haqq), leva-se o morto ao musallâ e faz-se o seu namâz.

A visita aos túmulos e a recitação do Alcorão al-Karîm

No fim do livro “Shir’at al-Islâm” diz-se que a visita aos túmulos é sunna. [Visita-se uma vez por semana, ou pelo menos nos bayrams. Visitar na quinta-feira, na sexta-feira ou no sábado é mais meritório.] Quem visita tira uma lição, pensando que o morto se decompôs. Uthmân (radiyallahu anh), quando passava junto de um túmulo, chorava muito, e sua barba ficava molhada. Também o morto se beneficia da dua que se faz por ele. Rasûlullah (sallallahu alaihi wa sallam) visitava os túmulos dos seus parentes e dos seus Companheiros (radiyallahu ta’âlâ anhum). Depois do salâm e da dua, senta-se de costas para a qibla, de frente para o túmulo. Passar a mão e o rosto no túmulo e beijar a terra é costume dos cristãos. Só é permitido beijar a terra do túmulo da mãe e do pai.

Nos hadîths sharîfs foi dito:

“Quando alguém vai ao túmulo de um conhecido e o saúda, ele o reconhece e responde à sua saudação.” “Se alguém visitar o túmulo de um crente e disser: ‘Allahumma innî as’aluka bi-haqqi Muhammadin wa âli Muhammadin an lâ tu’adhdhiba hâdhal-mayyit’, levanta-se o castigo do morto.” “Quem visita todas as sextas-feiras o túmulo de seus pais, ou de um deles, é perdoado.”

Para visitar os túmulos das grandes personalidades, é bom não ir a terras distantes, mas visitá-los quando se vai lá por outro assunto. Só ir visitar nosso Mestre, o Profeta (alaihis-salâtu was-salâm), é meritório. Quem visita os profetas (alaihimus-salâm) e os awliyâ (alaihimur-rahma) beneficia-se das suas almas abençoadas. O seu coração purifica-se na medida do seu amor e da sua ligação a eles. Se nos mausoléus houver quem cometa pecados – por exemplo, se vierem também mulheres descobertas –, não se deve abandonar a visita; se não puder impedi-los, deve detestá-lo com o coração. Do mesmo modo, deve-se ir também ao funeral de um crente em que haja mulheres e em que se cantem canções e hinos e se façam discursos. Junto do túmulo ou em outro lugar, deve-se recitar o Alcorão al-Karîm, oferecer a sua recompensa aos mortos e fazer dua por eles. Pois sobre o lugar onde se recita o Alcorão al-Karîm descem misericórdia e bênção. A dua que ali se faz é aceita.

“Quem visita todas as sextas-feiras o túmulo de seus pais, ou de um deles, é perdoado” Hadîth sharîf

No livro “Jilâ al-Qulûb” diz-se: quem chega ao cemitério diz, de pé: “As-salâmu alaikum, yâ ahla dâril-qawmil-mu’minîn! Innâ inshâallahu an qarîbin bikum lâhiqûn.” Depois recita, com a basmala, onze vezes a Sura al-Ikhlâs e uma vez a Fâtiha. Depois deve recitar a dua: “Allahumma rabbal-ajsâdil-bâliyah, wal-izâmin-nakhiratil-latî kharajat minad-dunyâ wa hiya bika mu’minatun, adkhil alaihâ rawhan min indika wa salâman minnî.” Aproxima-se do túmulo pelo lado direito do morto [o lado da qibla do túmulo] e pelo lado dos pés. Dá o salâm. De pé, de cócoras ou sentado, recita o início e o fim da Sura al-Baqara, a abençoada Sura Yâ-Sîn, e as suras al-Mulk (Tabâraka), at-Takâthur, a abençoada al-Ikhlâs e al-Fâtiha, e oferece a recompensa ao morto. No livro “Kitâb al-Fiqh alal-Madhâhib al-Arba’a” diz-se: “Visitar os túmulos para tirar lição do morto e pensar na outra vida é sunna para os homens. Visita-se todo túmulo, próximo ou distante. Sobretudo, ir a um lugar distante para visitar os sâlihs e os awliyâ (rahimahumullahu ta’âlâ) é sunna. Visitar o túmulo abençoado de Rasûlullah (sallallahu alaihi wa sallam) é uma das mais preciosas adorações. Também às mulheres idosas é permitido visitar, cobertas. Ao visitar, não é permitido fazer tawâf em volta do túmulo, beijar a pedra ou a terra, nem pedir ao morto algo que ele não pode fazer.” Pede-se aos awliyâ (rahimahumullahu ta’âlâ) que intercedam, que façam dua por quem pede e que sejam meio para que Allahu ta’âlâ conceda o que se pede.

Esse Soberano é um servo de nosso Senhor tal
que em todo instante de perigo se espera a sua intercessão.
É um Rasûl tal que chama os homens
à adoração de Allah – segui-o, pois!
Quem assim faz, como quem se agarra a uma corda firme
que jamais se rompe, sente-se seguro e encontra a paz.
Ó Allah, permite que sobre a sua família e os seus Companheiros,
e sobre os homens de taqwâ que os seguem,
as nuvens da misericórdia chovam sem cessar,
e que os servos pacientes e generosos alcancem a Tua misericórdia.
Ó Senhor, enquanto soprar a brisa da manhã,
enquanto os ramos da árvore de bân se balançarem com a brisa,
enquanto o chefe da caravana, com suas doces melodias,
levar os seus camelos ao arrebatamento,
envia a nuvem da misericórdia ao Orgulho do universo, à sua família, aos seus Companheiros
e aos que os seguem.
Qasîda-i Burda

Maqâm Ibrâhîm A rocha onde ficou a abençoada pegada de Ibrâhîm alaihis-salâm; ele a usou, ao construir a Ka’ba, como andaime e degrau para subir, e de pé sobre ela cumpriu o dever de chamar os homens a Allah. Por um milagre de Ibrâhîm alaihis-salâm, esta rocha subia e descia como um elevador até a altura que ele queria, ajudando-o a construir o edifício. O recinto (maqsûra) em que estava esta pedra abençoada foi demolido no tempo do rei saudita Faysal, e em seu lugar foi posto o relicário hexagonal de vidro que ainda existe, com o alto inteiramente aberto.