Meu Amado Profeta

AS VIRTUDES DE NOSSO MESTRE, O PROFETA

Há centenas de livros que expõem as virtudes de Muhammad alaihis-salâm. Virtude (fadîla) quer dizer superioridade. Algumas de suas superioridades são indicadas a seguir: 1. Dentre as criaturas, foram criados primeiro o nûr e a alma de Muhammad alaihis-salâm. 2. Allahu ta’âlâ escreveu o seu nome no Arsh, nos Paraísos e nos sete céus. 3. Nas pétalas de uma rosa que cresce na Índia está escrito: “Lâ ilâha illallah Muhammadun Rasûlullah”. 4. Viu-se que num peixe pescado num rio perto da cidade de Basra estava escrito “Allah” no lado direito e “Muhammad” no lado esquerdo. Há muitos acontecimentos semelhantes a estes. Na página duzentos do livro A History of Fishes, publicado em Londres em 1975, há a figura de um peixe em cuja cauda está escrito, com letras do Alcorão al-Karîm, “Shânullah”. Na informação dada, diz-se que no outro lado da cauda está escrito “Lâ ilâha illallah”. Os exemplos disso são muitíssimos. 5. Há anjos que não têm outro dever senão pronunciar o nome de Muhammad alaihis-salâm. 6. A ordem dada aos anjos de se prostrarem diante de Âdam alaihis-salâm foi dada porque em sua testa estava o nûr de Muhammad alaihis-salâm. 7. Allahu ta’âlâ comunicou a todos os profetas que Muhammad alaihis-salâm viria e ordenou-lhes ainda que mandassem as suas ummas crer nele, caso alcançassem o seu tempo. 8. Quando estava para vir ao mundo, viram-se sinais muito grandes. Estão escritos nos livros de história e de mawlid. 9. Quando veio ao mundo, viu-se que já tinha o cordão umbilical cortado e estava circuncidado. 10. Quando veio ao mundo, os shaytâns já não puderam subir ao céu nem furtar notícias dos anjos. 11. Quando veio ao mundo, todos os ídolos da terra e as estátuas adoradas tombaram de bruços. 12. Os anjos embalavam o seu berço. 13. Quando estava no berço, falava com a lua no céu. A lua inclinava-se para o lado que ele indicava com o dedo abençoado. 14. Começou a falar quando ainda estava no berço. 15. Quando era criança, ao andar em lugares descobertos, uma nuvem acompanhava-o à altura da cabeça, movendo-se com ele e fazendo-lhe sombra. Este estado continuou até o início de sua profecia. 16. Todo profeta tinha o selo da profecia sobre a mão direita. O selo de Muhammad alaihis-salâm, porém, estava no meio de suas costas abençoadas, junto à omoplata esquerda, sobre o coração. Quando Jibrîl alaihis-salâm lhe lavou o coração e lhe fechou o peito, selou-lhe as costas com o selo que trouxera do Paraíso.

17. Assim como via o que estava à sua frente, via também o que estava atrás de si.

18. Assim como via na claridade, via também na escuridão. 19. Sua saliva tornou doces as águas amargas, deu cura aos doentes e foi para os bebês alimento como o leite. 20. Quando os olhos dormiam, o coração ficava acordado. (Todos os profetas também eram assim.) 21. Em toda a sua vida nunca bocejou. 22. Seu suor abençoado tinha o perfume agradável da rosa. Um homem pobre, ao casar a filha, pediu-lhe ajuda. Naquele momento ele não tinha nada para dar. Pôs um pouco de seu suor num pequeno frasco e deu-o a ele. Quando a moça o passava no rosto e na cabeça, a sua casa recendia a almíscar. A casa dela ficou célebre com o nome de “casa perfumada”. 23. Embora fosse de estatura mediana, quando estava junto de pessoas altas parecia mais alto do que elas. 24. Quando andava à luz do sol e da lua, a sua sombra não caía sobre a terra. 25. Em seu corpo e em suas roupas não pousavam moscas, mosquitos nem outros insetos. 26. Suas roupas de baixo, por mais que as usasse, nunca se sujavam. 27. Sempre que caminhava, os anjos vinham atrás dele. Por isso fazia os Companheiros andarem à frente e dizia: “Deixai as minhas costas para os anjos.”1 28. Quando pisava uma pedra, ficava na pedra a marca de seu pé. Quando andava sobre a areia, não deixava pegada alguma. Quando fazia as suas necessidades, a terra abria-se, e a urina e o mais ficavam dentro da terra. (Todos os profetas também eram assim.) 29. Dentre os homens e os anjos, foi a ele que se deu o maior saber. Embora fosse ummî, isto é, embora não tivesse aprendido nada de ninguém, Allahu ta’âlâ comunicou-lhe todas as coisas. Assim como a Âdam alaihis-salâm foi comunicado o nome de todas as coisas, a ele foram comunicados o nome e o conhecimento de todas as coisas. 30. Foram-lhe comunicados os nomes e as figuras de sua umma e tudo o que haveria de acontecer entre eles. 31. Seu entendimento é maior do que o de todos os homens. 32. Todas as boas qualidades que se podem encontrar nos homens foram-lhe concedidas. Quando perguntaram ao grande poeta Umar ibn al-Fârid: “Por que não louvaste Rasûlullah?”, ele disse: “Compreendi que não teria forças para louvá-lo. Não encontrei palavras com que louvá-lo.”

“Não ficarei satisfeito enquanto um só de minha umma permanecer no Inferno” Hadîth sharîf

33. Na kalima-i shahâda, no adhân, na iqâma, no tashahhud do namâz, em muitas duas, em alguns atos de adoração e nas khutbas, ao dar conselho, nos momentos de aflição, no túmulo, no Dia da Reunião, no Paraíso e na língua de toda criatura, Allahu ta’âlâ pôs o seu nome junto ao Seu próprio nome. 34. A mais excelsa de suas superioridades é ser Habîbullah. Allahu ta’âlâ fez dele o Seu amado, o Seu amigo. Amou-o mais do que a todos e mais do que a todo anjo. Disse: “Se fiz de Ibrâhîm o Meu Khalîl, a ti fiz o Meu Habîb.”

35. O versículo sagrado cujo sentido é: “Eu te darei tudo o que desejares, até que fiques satisfeito (até que digas: ‘Basta!’)”2 promete que Allahu ta’âlâ concederá ao Seu Profeta todos os saberes, todas as superioridades, as normas do Islã, o auxílio e a vitória contra os seus inimigos, as conquistas e os triunfos à sua umma e, no Dia do Juízo, toda espécie de intercessão e de manifestações divinas (tajalliyât). Quando foi revelado este versículo sagrado, ele olhou para Jibrîl alaihis-salâm e disse: “Não ficarei satisfeito enquanto um só de minha umma permanecer no Inferno.” 36. Allahu ta’âlâ, no Alcorão al-Karîm, dirigiu-Se a cada profeta pelo seu nome; a Muhammad alaihis-salâm, porém, dirigiu-Se dizendo: “Ó Meu Rasûl! Ó Meu Profeta!” 37. Falava em todos os dialetos da língua árabe de modo muito claro e fácil de compreender. Aos que vinham de diversos lugares e lhe perguntavam alguma coisa, respondia no dialeto deles. Os que o ouviam ficavam maravilhados. Ele dizia: “Allahu ta’âlâ educou-me da mais bela maneira.”3

38. Exprimia muitas coisas com poucas palavras. Os seus mais de cem mil hadîths mostram que ele é “Jawâmi’ al-kalim” (o dono das palavras concisas e abrangentes).

Alguns sábios disseram: “Muhammad alaihis-salâm comunicou os quatro fundamentos da religião do Islã em quatro hadîths:

- ‘As obras são avaliadas segundo as intenções.’4

- ‘O halâl é evidente, e o harâm é evidente.’5

- ‘Ao queixoso cabe apresentar testemunha, e ao acusado, prestar juramento.’6 e

- ‘A fé de uma pessoa não é perfeita enquanto ela não desejar para o seu irmão na religião o que deseja para si mesma.’7 O primeiro destes quatro hadîths é o fundamento da adoração (ibâda); o segundo, das transações entre as pessoas (mu’âmalât); o terceiro, dos litígios (khusûmât), isto é, das questões de justiça e de governo; e o quarto, das ciências das boas maneiras e do caráter.”8

39. Muhammad alaihis-salâm era masûn (preservado) e ma’sûm (impecável). Nunca cometeu pecado algum, nem sabendo nem sem saber, nem grande nem pequeno, nem antes nem depois dos quarenta anos. Nunca se viu nele uma só ação feia. 40. Foi ordenado aos muçulmanos que, sentados no namâz, saudassem Muhammad alaihis-salâm recitando “As-salâmu alaika ayyuhan-nabiyyu wa rahmatullahi”. No namâz não é permitido saudar outro profeta nem os anjos. 41. Num hadîth qudsî foi dito: “Se não fosses tu, Eu não teria criado coisa alguma!”9

42. Os outros profetas responderam eles mesmos às calúnias dos kâfirs. Às calúnias lançadas contra Muhammad alaihis-salâm, porém, respondeu o próprio Allahu ta’âlâ, tomando a sua defesa. 43. O número da umma de Muhammad alaihis-salâm é maior do que a soma das ummas de todos os outros profetas. Eles são mais excelentes e mais honrados do que aqueles. Nos hadîths informa-se que dois terços dos que entrarão no Paraíso serão desta umma. 44. As recompensas que serão dadas a Rasûlullah são muitíssimas vezes maiores do que as que serão dadas aos outros profetas.

Ao mestre de quem pratica um ato de adoração aceito e uma boa obra será dada recompensa igual à que é dada a este. Ao mestre de seu mestre será dado o quádruplo; ao mestre deste, o óctuplo; ao mestre deste, dezesseis vezes mais; e assim, até Rasûlullah, a cada mestre será dado o dobro da recompensa de seu discípulo. Por exemplo, ao vigésimo mestre serão dadas 524.288 recompensas. A Muhammad alaihis-salâm será dada recompensa por cada uma das obras de cada um dos membros de sua umma.

Se se pensar, segundo este cálculo, no número das recompensas que serão dadas a Muhammad alaihis-salâm por cada obra, ninguém, senão Allahu ta’âlâ, conhece a sua quantidade total. Foi informado que os salaf-i sâlihîn são mais excelentes e mais elevados do que os que vieram depois. No número das recompensas, essa superioridade é evidente. 45. Foi declarado harâm chamá-lo pelo nome, falar em voz alta junto dele, chamá-lo de longe aos gritos e passar-lhe à frente no caminho. As ummas dos outros profetas chamavam os seus profetas pelo nome. 46. Viu Jibrîl alaihis-salâm duas vezes em sua forma de anjo. Nenhum outro profeta o viu em sua forma verdadeira. 47. Jibrîl alaihis-salâm veio a ele vinte e quatro mil vezes. Dentre os outros profetas, a quem mais veio foi a Mûsâ alaihis-salâm: quatrocentas vezes.

“Quem tem inimizade à minha Ahl al-Bayt é munâfiq (hipócrita)” Hadîth sharîf

48. Também Isrâfîl alaihis-salâm veio muitas vezes a Muhammad alaihis-salâm. Aos outros profetas (alaihimus-salawâtu wat-taslîmât) veio somente Jibrîl alaihis-salâm. 49. É permitido pedir a Allahu ta’âlâ fazendo juramento por Muhammad alaihis-salâm; pelos outros profetas e pelos anjos, não é permitido. 50. Depois de Muhammad alaihis-salâm, foi declarado harâm que outros tomassem as suas esposas em casamento, e por esse motivo foi informado que elas são as mães dos crentes.

As esposas dos outros profetas (alaihimus-salawâtu wat-taslîmât) ou lhes foram prejudiciais, ou não lhes foram de proveito algum. As esposas abençoadas de Muhammad alaihis-salâm (radiyallahu ta’âlâ anhunna), porém, foram-lhe auxiliares nos assuntos deste mundo e da outra vida, foram pacientes na pobreza, foram agradecidas e prestaram grandes serviços na difusão do Islã. 51. O parentesco por linhagem e por vínculo (nasab e sabab), isto é, pelo sangue e pelo casamento, de nada aproveita no Dia do Juízo. O parentesco com Rasûlullah é exceção a isso. 52. Levar o nome de Rasûlullah é proveitoso neste mundo e na outra vida. Os verdadeiros crentes que levam o seu nome não entrarão no Inferno. 53. Toda palavra sua e toda ação sua são verdadeiras. Todo ijtihâd seu é confirmado por Allahu ta’âlâ. 54. Amá-lo é fard para todos. Ele disse: “Quem ama Allahu ta’âlâ ama-me também.” O sinal de amá-lo é seguir a sua religião, o seu caminho, a sua sunna e o seu caráter. No Alcorão al-Karîm foi-lhe ordenado dizer: “Se me seguirdes, Allahu ta’âlâ vos amará.”

55. Amar a sua Ahl al-Bayt é wâjib. Ele disse: “Quem tem inimizade à minha Ahl al-Bayt é munâfiq (hipócrita).” A Ahl al-Bayt são os seus parentes aos quais é harâm receber zakât. São as suas esposas e os crentes da descendência de seu avô Hâshim, isto é, os da descendência de Alî, de Aqîl, de Ja’far Tayyâr e de Abbâs.

56. Amar todos os seus Companheiros é wâjib. Ele disse: “Depois de mim, não tenhais inimizade aos meus Companheiros! Amá-los é amar-me. Ser inimigo deles é ser meu inimigo. Quem os ofende ofende-me a mim. E quem me ofende ofende Allahu ta’âlâ. Allahu ta’âlâ castiga quem O ofende.”

57. Allahu ta’âlâ criou para Muhammad alaihis-salâm dois auxiliares no céu e dois na terra. São eles Jibrîl, Mîkâîl, Abû Bakr e Umar (radiyallahu ta’âlâ anhum ajma’în).10 58. A todo aquele que morre em idade adulta, homem ou mulher, perguntarão no túmulo sobre Muhammad alaihis-salâm. Assim como lhe perguntarão: “Quem é o teu Senhor?”, também lhe perguntarão: “Quem é o teu Profeta?” 59. Ler os hadîths de Muhammad alaihis-salâm é ato de adoração. A quem os lê dá-se recompensa.

Para ler hadîths, é mustahab fazer a ablução, vestir roupa limpa, perfumar-se, pôr o livro de hadîth num lugar elevado, não se levantar quem lê para os que entram de fora e não conversarem entre si os que escutam. O rosto dos que leem constantemente os hadîths torna-se luminoso, resplandecente e belo. Também ao ler o Alcorão al-Karîm é preciso observar estas boas maneiras. 60. Para tomar a sua alma abençoada, Azrâîl alaihis-salâm veio em forma humana e pediu licença para entrar. 61. Em seu túmulo, ele vive uma vida que nós não conhecemos. No túmulo recita o Alcorão al-Karîm e faz o namâz. (Todos os profetas também são assim.) 62. Os anjos que ouvem os muçulmanos que, em qualquer parte do mundo, recitam salawât por Rasûlullah (sallallahu alaihi wa sallam) vêm ao seu túmulo e comunicam-lhe isso. Milhares de anjos visitam o seu túmulo todos os dias. 63. A terra que está dentro de seu túmulo é mais excelente do que qualquer lugar, do que a Ka’ba e do que os Paraísos. 64. As obras e os atos de adoração de sua umma são-lhe mostrados todas as manhãs e todas as tardes. Ele vê também os que os praticam, e faz dua para que sejam perdoados os que cometem pecados. 65. Visitar o seu túmulo é mustahab também para as mulheres. Quanto aos outros túmulos, porém, só lhes é permitido visitá-los nas horas em que há pouca gente e com um traje que convenha a uma muçulmana. 66. Assim como em vida, também depois de sua morte, em qualquer parte do mundo e em qualquer tempo, Allahu ta’âlâ aceita a dua dos que fazem tawassul por meio dele, isto é, dos que pedem em consideração a ele e por respeito a ele.

Um beduíno veio junto de seu túmulo e disse: “Ó meu Senhor! Tu ordenaste libertar escravos. Este é o Teu Profeta, e eu sou um de Teus escravos. Em consideração ao Teu Profeta, liberta-me do fogo do Inferno!” Então ouviu-se uma voz: “Ó Meu servo! Por que pediste somente a tua própria libertação? Por que não pediste a libertação de todos os Meus servos? Vai! Eu te libertei do Inferno.”

Hâtim Asamm, um dos célebres dentre os awliyâ, pôs-se de pé junto ao túmulo de Rasûlullah e disse: “Ó meu Senhor! Visitei o túmulo do Teu Profeta. Não me faças voltar de mãos vazias!” Então ouviu-se uma voz: “Ó Meu servo! Aceitei a tua visita ao túmulo do Meu Habîb. Perdoei-te a ti e aos que fizeram a visita contigo.”

Imam Ahmad Qastallânî (rahmatullahi alaih) conta: “Durante alguns anos sofri de uma doença. Os médicos não lhe acharam remédio. Em Meca, uma noite, supliquei muito a Rasûlullah. Nessa noite vi em sonho um homem. No papel que tinha na mão li: ‘Aqui está escrito, com a permissão de Rasûlullah, o remédio para a doença de Ahmad Qastallânî.’ Quando acordei, a doença já não existia.” Qastallânî conta ainda: “Uma pobre menina havia caído doente de epilepsia. Supliquei muito a Rasûlullah para que ela se curasse. Em sonho, um homem trouxe-me o jinn que fazia a menina adoecer e disse: ‘Rasûlullah o enviou a ti.’ Repreendi o jinn e gritei com ele. Ele me jurou que não faria mal à menina, e eu acordei. Pouco depois soube que a menina se livrara da epilepsia.”

67. No Dia do Juízo, o primeiro a levantar-se do túmulo será Rasûlullah (sallallahu alaihi wa sallam). Estará vestido com uma veste do Paraíso. Irá montado no Burâq ao lugar da Reunião (mahshar), e terá na mão o estandarte chamado “Liwâ al-Hamd”. Os profetas e todos os homens estarão debaixo desse estandarte. Todos se angustiarão muito com a espera de mil anos. Os homens irão, um após outro, aos profetas Âdam, Nûh, Ibrâhîm, Mûsâ e Îsâ (alaihimus-salâm) e lhes pedirão que intercedam para que comece a prestação de contas. Cada um deles, alegando a sua escusa, dirá que tem vergonha e temor de Allahu ta’âlâ e se esquivará de interceder. Por fim, irão a Rasûlullah e suplicarão; ele se prostrará e fará dua, e a sua intercessão será aceita. Primeiro serão julgadas as contas de sua umma; eles serão os primeiros a passar a ponte Sirât e os primeiros a entrar no Paraíso. Por onde quer que passem, iluminarão tudo.

Quando Fâtima (radiyallahu anhâ) passar pela ponte Sirât, será dito: “Que todos fechem os olhos! Vem a filha de Muhammad alaihis-salâm.”

68. O nome da morada (maqâm) em que Rasûlullah (sallallahu alaihi wa sallam) estará no Paraíso é Wasîla. É o grau mais alto do Paraíso. Ali está a raiz da árvore Sidrat al-Muntahâ, cujos ramos se estendem, um a cada um dos que estão no Paraíso. As dádivas chegarão aos habitantes do Paraíso por esses ramos.

69. No adhân que se recitava para o namâz no tempo de Âdam alaihis-salâm, dizia-se também o nome de Muhammad alaihis-salâm.

70. Na Tawrât, no Injîl e no Zabûr, Muhammad alaihis-salâm, os seus quatro califas, os seus Companheiros e alguns de sua umma foram descritos com belos atributos e mencionados com louvor. Allahu ta’âlâ derivou de Seu nome Mahmûd a palavra “Muhammad” e deu-a como nome ao Seu Habîb. Allahu ta’âlâ deu também ao Seu Habîb, dentre os Seus nomes, os nomes Raûf e Rahîm. 71. Aos três anos, aos quarenta, quando lhe foi comunicada a profecia, e aos cinquenta e dois, quando foi levado ao Mi’râj, os anjos abriram-lhe o peito. Lavaram-lhe o coração com água do Paraíso, numa bacia que trouxeram do Paraíso. 72. Viu com os seus olhos as sete estrelas do grupo chamado “Thurayyâ”, junto à constelação de Thawr (o Touro), e informou o seu número. Este grupo de estrelas é chamado também Parvîn e Ülker. 73. Houve quem bebesse do sangue de sua hijâma (ventosa). Quando um deles o bebeu, ele disse: “O fogo do Inferno não o queimará.” 74. Um de seus grandes milagres é ter sido levado ao Mi’râj. Com o animal do Paraíso chamado Burâq, foi levado de Meca a Jerusalém (Quds). Dali foi levado aos céus e ao Arsh. Foram-lhe mostradas coisas maravilhosas. Viu Allahu ta’âlâ com os olhos da cabeça, de um modo que não se pode conhecer. (Mas esta visão aconteceu fora do mundo da matéria, isto é, no mundo da outra vida.) Num instante foi trazido de volta à sua casa. O milagre do Mi’râj não foi dado a nenhum outro profeta.

75. Recitar salât e salâm por ele uma vez na vida tornou-se fard para a sua umma. Também Allahu ta’âlâ e os anjos enviam salât e salâm sobre ele.

“Quero ser um profeta-servo” Hadîth sharîf

76. De noite, acordado e dormindo, sozinho e no meio de muita gente, em viagem e em casa, na guerra, rindo e chorando, o seu coração abençoado estava sempre com Allahu ta’âlâ. Em certos momentos, estava somente com Allahu ta’âlâ.

Para poder cumprir os seus deveres neste mundo e voltar o seu coração abençoado para o mundo humano, ia até a sua esposa Âisha (radiyallahu anhâ) e dizia: “Ó Âisha! Fala um pouco comigo (para que eu volte a mim)”; e depois ia aconselhar e guiar os seus Companheiros. Fazia em casa o namâz sunna da manhã e, depois de conversar um pouco com Âisha (radiyallahu anhâ), ia à mesquita para dirigir o namâz fard dos Companheiros. Este estado é uma das particularidades próprias do Profeta (khasâis). Se ele saísse sem ter conversado com Âisha (radiyallahu anhâ), ninguém conseguiria olhar para o seu rosto, por causa das manifestações divinas (tajalliyât) e dos nûrs. 77. Não desejou posição nem poder real; desejou a profecia e a pobreza. Uma manhã, conversando com Jibrîl alaihis-salâm, disse que naquela noite não houvera em sua casa um só bocado para comer. Nesse momento veio Isrâfîl alaihis-salâm e disse: “Allahu ta’âlâ ouviu o que disseste e enviou-me. Se quiseres, toda pedra que tocares com a mão se tornará ouro, prata ou esmeralda. Se quiseres, exerce a profecia como rei.” Rasûlullah disse três vezes: “Quero ser um profeta-servo.”

78. Os outros profetas (alaihimus-salawâtu wat-taslîmât) exerceram a profecia num tempo determinado e num país determinado. Muhammad alaihis-salâm, porém, foi enviado como profeta a todos os homens e a todos os jinns da terra, até o Dia do Juízo. Há também sábios que declararam que ele é o profeta dos anjos, dos animais, das plantas, dos seres inanimados – em suma, de todas as criaturas.

79. A sua misericórdia e o seu proveito estenderam-se a todos os seres. O seu proveito para os crentes é evidente. Aos kâfirs do tempo dos outros profetas (alaihimus-salawâtu wat-taslîmât) infligiam-se castigos já neste mundo, e eram aniquilados. Aos que não creram nele não se infligiu castigo neste mundo. Um dia, ele disse a Jibrîl alaihis-salâm: “Allahu ta’âlâ comunicou que eu sou misericórdia para os mundos. Coube também a ti uma parte de minha misericórdia?” Jibrîl disse: “Diante da grandeza e do poder temível de Allah, eu vivia sempre com medo de como seria o meu fim. Quando trouxe os versículos que declaram que eu sou digno de confiança (amîn) (o vigésimo e o vigésimo primeiro versículos da Sura at-Takwîr), com esse louvor livrei-me do terrível medo e fiquei em segurança. Pode haver misericórdia maior do que esta?” 80. Allahu ta’âlâ quis que Muhammad alaihis-salâm ficasse satisfeito. (Como dissemos na trigésima quinta virtude, Allahu ta’âlâ lhe dará o que ele desejar até que fique satisfeito. Isto foi declarado na Sura ad-Duhâ.)

81. No livro “Mawâhib-i Ladunniyya” diz-se que é célebre o hadîth: “Pedi a meu Senhor que a minha umma não se una toda sobre um desvio (dalâla). E Ele o aceitou.”

Em outro hadîth sharîf, ele disse: “Allahu ta’âlâ protegeu-vos de três coisas. A primeira: protegeu-vos de vos unirdes sobre um desvio. A segunda: quem morre de doença contagiosa alcança a recompensa do martírio. A terceira: se dois muçulmanos virtuosos dão testemunho de um muçulmano, dizendo: ‘É uma boa pessoa’, esse muçulmano entra no Paraíso.”

Em um hadîth sharîf, ele disse: “A divergência de meus Companheiros é misericórdia para vós” e “A divergência de minha umma (a sua divisão em madhhabs na prática) é misericórdia.” A sua umma, ao esforçar-se por encontrar o haqq, a verdade, cai em divergência. E esse esforço é causa de misericórdia. Dois tipos de pessoas negaram este hadîth sharîf: um é o mâjin, o outro é o mulhid. O mâjin é o impostor que faz da religião instrumento de ganho mundano. E o mulhid é o desviado que, dando aos versículos sagrados sentidos conformes aos interesses mundanos, se torna kâfir. Yahyâ ibn Sa’îd diz: os sábios do Islã são facilitadores. Para uma mesma coisa, um disse “halâl”, outro disse “harâm”. Aquilo que disseram ser halâl para as pessoas virtuosas, disseram ser harâm em tempo de corrupção. Como mostram os hadîths acima, o ijmâ al-umma, isto é, o acordo unânime dos sábios chamados mujtahid, está entre as adilla-i shar’iyya (provas da sharî’a). Isto é, é uma das quatro fontes do conhecimento religioso, e os quatro madhhabs são verdadeiros. Os madhhabs são misericórdia de Allahu ta’âlâ para os muçulmanos. 82. As filhas abençoadas e as esposas de Rasûlullah (radiyallahu ta’âlâ anhunna) são as mais excelentes das mulheres do mundo. Todos os seus Companheiros também são, depois dos profetas, os mais excelentes de todos os homens. As suas cidades, Makka al-Mukarrama e depois Madîna al-Munawwara, são os lugares mais preciosos da terra. Para uma rak’a de namâz feita em sua mesquita abençoada inscreve-se a recompensa de mil rak’as. O mesmo se dá com os outros atos de adoração.

O espaço entre o seu túmulo e o seu minbar é um jardim do Paraíso. Ele disse:

“Quem me visita depois de minha morte é como se me tivesse visitado em vida. O crente que morre num dos Haramayn será ressuscitado em segurança no Dia do Juízo.” As cidades de Meca e Medina chamam-se Haramayn. 83. A linhagem de cada um continua pelo filho. A linhagem de Muhammad alaihis-salâm, porém, continua por sua filha Fâtima. Isto foi declarado também num hadîth sharîf. 84. Cada homem tem um companheiro dentre os jinns. Esse shaytân é kâfir. Lançando sugestões (waswasa) ao coração, procura tirar-lhe a fé e fazê-lo pecar. Rasûl alaihis-salâm levou à fé o jinn que era o seu companheiro.

85. Quando Rasûlullah (sallallahu ta’âlâ alaihi wa sallam) estava para falecer, Jibrîl alaihis-salâm veio, trouxe-lhe a saudação de Allahu ta’âlâ e disse-lhe que Allahu ta’âlâ perguntava por ele. Comunicou-lhe que ia falecer e deu-lhe muitíssimas boas novas para ele e para a sua umma.

Não troco o mundo pelo pó de teus pés, yâ Rasûlallah!
Não troco por um fio de teu cabelo os sete céus, yâ Rasûlallah!
O desejo do Siddîq é um só lapso teu, yâ Rasûlallah!
O anelo de Irfân é ser pó a teus pés, yâ Rasûlallah!