A BATALHA DA TRINCHEIRA
Também é chamada Batalha dos Ahzâb. Ahzâb é o plural da palavra hizb. Hizb significa facção, grupo, parte. Como nesta batalha várias facções se uniram para combater Rasûlullah, ela foi chamada Batalha dos Ahzâb. Era o quinto ano da Hégira. Os judeus filhos de Nadîr, fonte de sedição e de desordem, que haviam sido expulsos de Madîna al-Munawwara, tinham-se dividido em grupos: uma parte fora para Shâm (Síria) e outra para Khaybar. Mas o rancor e o desejo de vingança contra o Islã e contra nosso Mestre, o Profeta, haviam tomado conta de seus corações. Seu chefe, Huyayy ibn Akhtab, foi a Meca com vinte homens que reunira dentre os notáveis de seu povo. Encontraram-se com Abû Sufyân e sentaram-se a negociar a maneira de eliminar a pessoa abençoada de nosso amado Profeta. Disseram: “Até terminarmos este assunto, permaneceremos ao vosso lado, sem jamais nos separarmos!” Abû Sufyân disse: “Os que são inimigos de nosso inimigo são bem-vindos junto de nós. Mas, para que possamos confiar em vós, deveis adorar nossos ídolos. Só depois disso poderemos aceitar que sois sinceros e ficar seguros.” Os judeus traidores, que para alcançar seu objetivo sacrificavam até a própria religião, prostraram-se por terra diante dos ídolos… De descrentes que tinham um livro, tornaram-se descrentes sem livro. Juraram eliminar nosso amado Profeta e destruir a religião do Islã.
Os politeístas começaram imediatamente os preparativos para a guerra. Enviaram homens também às tribos politeístas vizinhas. Os judeus, por sua vez, puseram-se em ação para persuadir várias tribos. Armaram algumas delas prometendo-lhes dinheiro e tâmaras. Os politeístas tinham reunido, nos arredores de Meca, uma grande força de quatro mil homens. Abû Sufyân atou o estandarte em Dâr an-Nadwa e entregou-o a Uthmân ibn Talha. No exército havia trezentos cavalos, armas em abundância e mil e quinhentos camelos.
Quando o exército politeísta de quatro mil homens chegou a Marr az-Zahrân, muitas tribos – os filhos de Sulaym, os filhos de Fazâra, os de Ghatafân, os filhos de Murra, os filhos de Asad – com um reforço de seis mil homens elevaram o número do exército politeísta a dez mil. Para aquela época, era uma força enorme.
A tribo de Khuzâ’a, que desde longa data mantinha amizade com Rasûl-i akram (sallallahu alaihi wa sallam), fez voar imediatamente a notícia a Medina: um cavaleiro que percorreu em quatro dias um caminho de dez informou nosso Mestre, o Profeta, de todos os pormenores da situação dos politeístas.
Nosso amado Profeta, que resolvia os seus assuntos consultando os Companheiros, reuniu-os imediatamente e examinou com eles a situação. Cada Companheiro expôs sua proposta sobre onde e como se deveria travar a batalha. Salmân Fârisî, que estava nesse conselho, tomou a palavra e disse:
“Yâ Rasûlallah! Entre nós há uma tática de guerra: quando temíamos que o inimigo nos atacasse de surpresa, cavávamos uma trincheira (khandaq) à nossa volta e nos defendíamos.” Essa tática agradou a nosso Mestre, o Profeta, e aos Companheiros, e decidiu-se combater o inimigo dessa maneira.1
Nosso Mestre, o Profeta, tomando imediatamente consigo alguns de seus Companheiros, foi examinar onde a trincheira devia ser cavada. O lado sul de Medina era de pomares, coberto de árvores densas. A possibilidade de os politeístas lançarem dali um ataque em massa era pequena.
“Alvíssaras para ti, ó Âisha! Haqq ta’âlâ declarou a tua inocência e deu testemunho da tua pureza” Hadîth sharîf
Além disso, uma pequena força podia defender esse lado. A leste vivia a tribo judia chamada Banû Qurayza, com quem se havia feito um pacto. Por isso, os politeístas só podiam atacar pelos terrenos abertos do oeste e do norte. Os lugares em que a trincheira seria cavada foram determinados desses lados. A cada um dos Companheiros cabiam cerca de três metros. Cada um cavaria a parte que lhe coubesse com a profundidade de dois homens (cerca de 3,5 metros), e a trincheira teria uma largura tal (7–8 metros) que um cavalo a galope não a pudesse saltar. O tempo era pouco. O inimigo saíra de Meca e marchava para Medina. A trincheira tinha de ser cavada no mais breve tempo possível.
Nosso amado Profeta, ele próprio à frente, juntamente com seus heroicos Companheiros, deu o primeiro golpe de picareta dizendo “Bismillahir-rahmânir-rahîm”. Todos se esforçavam com todo o empenho para cavar a trincheira o quanto antes. Até as crianças participavam do trabalho. Para nosso Mestre Rasûlullah preparou-se uma tenda turca sobre a colina de Dhubâb.2 A terra tirada da trincheira era levada em cestos e despejada ao redor dessa colina, e, ao voltarem, traziam do monte Sal’ pedras para atirar contra o inimigo. Os que não encontravam cesto carregavam a terra na aba das roupas. Também nosso amado Profeta trabalhava até cansar. Ao verem isso, os Companheiros redobravam o ânimo. Diziam-lhe: “Que nossas vidas te sejam sacrificadas, yâ Rasûlallah! Basta o nosso trabalho. Não trabalhes; descansa”, mas ele respondia: “Também eu quero participar da recompensa que ganhais trabalhando.”
Naqueles dias fazia muito frio. Além disso, naquele ano reinava a penúria por causa da seca. Encontrar alimento também era muito difícil. Todos os Companheiros, inclusive o Mestre dos mundos, passavam uma fome terrível. Para se sentirem fortes, amarravam pedras ao ventre por causa da fome, procurando aplacar a necessidade de comer apertando o estômago. Nosso amado Profeta, enviado como misericórdia para os mundos, não pensava em sua própria fome. Afligia-se muito por seus Companheiros trabalharem com fome nesse frio e pelos sofrimentos que suportavam; compadecia-se deles e fazia esta dua: “Ó Allah! Não há vida (digna de ser desejada) senão a da outra vida (âkhirat). Ó meu Senhor! Perdoa os Ansâr e os Muhâjir!” E eles respondiam a Habîb-i akram, a quem amavam mais do que à própria vida: “Seguimos nosso Mestre Rasûlullah para difundir a religião do Islã no caminho de Allahu ta’âlâ até o fim de nossas vidas.” Esse amor recíproco arrancava pela raiz tantas dificuldades, como a fome e a sede.
Brilhou um relâmpago
A escavação da trincheira começava todos os dias de manhã cedo e prolongava-se até a noite. Um dia, durante a escavação, Alî ibn Hakam feriu-se no pé. Puseram-no a cavalo e levaram-no à presença de nosso Mestre, o Profeta. O Mestre dos mundos passou a mão sobre o seu pé dizendo “Bismillahir-rahmânir-rahîm”. Por um milagre de nosso Mestre, o sangue de seu pé estancou num instante e a dor cessou. A escavação continuava. A certa altura, os Companheiros depararam com um lugar muito duro. Era impossível cavá-lo. Foram até Rasûl-i akram e comunicaram-lhe a situação. Ele veio e desceu à trincheira. Pediu um recipiente com água. Tomou um gole e devolveu-o ao recipiente. Depois aspergiu a água sobre o lugar duro. Tomando a marreta, desfez aquele lugar com um só golpe, como se fosse areia. Agora ali se cavava com facilidade. Durante esse golpe, o ventre abençoado de nosso amado Profeta descobriu-se, e os que estavam ali viram que, por causa da fome, ele tinha uma pedra amarrada sobre o seu estômago abençoado. Jâbir ibn Abdullah, vendo nosso Mestre Rasûlullah nesse estado, foi à sua presença e pediu licença: “Que meu pai e minha mãe te sejam sacrificados, yâ Rasûlallah! Se me permites, irei até em casa e voltarei.” O que aconteceu depois de obter a licença, Jâbir contou assim:
“Quando me foi dada a licença, fui para casa e perguntei à minha esposa: ‘Vi em Rasûl alaihis-salâm um estado de fome que não se pode suportar. Há em casa alguma coisa para comer?’ Ela disse: ‘Não há nada além deste cabrito e de alguns punhados de cevada.’ Imediatamente degolei o cabrito, e minha esposa moeu a cevada no moinho de mão e fez farinha. Depois fez a massa. Pôs a carne numa panela de barro e começou a cozinhá-la no forno de barro (tandûr). Quando eu voltava para junto de Rasûlullah, minha esposa recomendou-me insistentemente que não passássemos vergonha por ser pouca a comida. Então fui até nosso Mestre Rasûlullah e disse: ‘Yâ Rasûlallah! Tenho um pouco de comida. Toma contigo uma ou duas pessoas e vem comer conosco!’
Nosso Mestre Rasûlullah disse-me: ‘Dize à tua esposa que não tire do forno nem a panela de carne nem o pão até que eu chegue.’ Depois, voltando-se para os mujâhids, disse: ‘Ó gente da Trincheira! Jâbir preparou-nos um banquete e convida-nos para comer. Sua comida é abundante e boa. Levantai-vos! Vamos ao banquete de Jâbir!’ A esta ordem, os Companheiros reuniram-se e começaram a caminhar atrás de nosso Profeta. Eu voltei depressa para casa, contei à minha esposa o que acontecera e disse: ‘E agora, que faremos?’ Ela me perguntou: ‘Rasûl alaihis-salâm não perguntou quanto havia de comida?’ Eu disse: ‘Perguntou, e eu lhe disse.’ Minha esposa perguntou: ‘Foste tu que convidaste os Companheiros, ou foi nosso Mestre Rasûlullah?’ Quando eu disse: ‘Foi Rasûlullah que os convidou’, ela me consolou, dizendo: ‘Rasûl alaihis-salâm sabe melhor.’
Pouco depois, o rosto luminoso de nosso Mestre, o Profeta, apareceu à nossa porta. Disse aos numerosos Companheiros: ‘Entrai sem vos apertardes uns aos outros.’ Meus irmãos Companheiros sentaram-se em grupos de dez. Nabiyy-i muhtaram fez dua para que o pão e a carne fossem abençoados. Depois, sem retirar a panela do forno, tirava com a concha o que havia nela, punha-o sobre os pães que tomava nas mãos e servia seus Companheiros. Continuou assim até que todos os Companheiros ficassem saciados. Juro que, embora os que comeram fossem mais de mil, o pão e a carne continuavam tal como estavam. Depois de comermos também nós, distribuímos o restante aos nossos vizinhos.”3
Salmân Fârisî cavava a trincheira com grande habilidade. Fazia sozinho o trabalho de dez homens. Enquanto ele e seus companheiros cavavam o trecho que lhes fora designado, depararam com uma rocha branca, muito dura e grande. Esforçaram-se muito para quebrá-la, mas todo o seu esforço foi em vão. Além disso, suas marretas, picaretas e pás também se quebraram. Salmân foi à presença de nosso amado Profeta e expôs a situação: “Que meu pai e minha mãe, e a minha vida, te sejam sacrificados, yâ Rasûlallah! Ao cavar a trincheira, demos com uma rocha dura. Embora todas as nossas ferramentas de ferro se tenham quebrado, não conseguimos sequer movê-la do lugar.” Habîb-i akram (sallallahu alaihi wa sallam) veio até lá e pediu uma marreta. Os Companheiros que ali estavam aguardavam com curiosidade o resultado. O Sultão dos profetas desceu à trincheira. Levantando a marreta e dizendo “Bismillahir-rahmânir-rahîm”, golpeou a rocha com tanta força que desse golpe brilhou um relâmpago que iluminou Medina, e um pedaço da rocha se desprendeu.
Rasûl-i akram proferiu o takbîr: “Allahu akbar!” Os Companheiros, ao ouvi-lo, também proferiram o takbîr. Depois ele golpeou a rocha pela segunda vez com a marreta. De novo um relâmpago que iluminou todos os arredores!…
“Também eu quero participar da recompensa que ganhais trabalhando” Hadîth sharîf
E pedaços que se desprendiam da rocha… Nosso amado Profeta proferiu de novo o takbîr: “Allahu akbar!” Os Companheiros seguiram-no e proferiram também o takbîr. Quando a marreta desceu pela terceira vez, brilhou mais um relâmpago que iluminou todos os arredores, e a rocha despedaçou-se. O Mestre dos mundos proferiu de novo o takbîr: “Allahu akbar!” Seus honrados Companheiros seguiram-no e proferiram outra vez o takbîr.
Salmân estendeu a mão. Nosso amado Profeta subiu da trincheira. Quando Salmân Fârisî disse: “Que meu pai e minha mãe, e a minha vida, te sejam sacrificados, yâ Rasûlallah! Acabo de ver algo que nunca vi em toda a minha vida. Qual é a sabedoria disso?”, nosso Mestre, o Profeta, voltou-se para os Companheiros e perguntou: “Vistes também vós o que Salmân viu?” Eles responderam: “Sim, yâ Rasûlallah! Quando golpeaste a rocha com a marreta, vimos brilhar um forte relâmpago. Quando proferiste o takbîr, também nós o proferimos.” Nosso Mestre, o Profeta, disse: “À luz do primeiro golpe, mostraram-se-me os palácios do Cosroes (em Madâin). Jibrîl (alaihis-salâm) veio e informou-me: ‘A tua umma será dona daquelas terras.’ No segundo golpe, mostraram-se os palácios vermelhos da província dos bizantinos (da Síria). Jibrîl (alaihis-salâm) veio e disse: ‘A tua umma será dona também daquela terra.’ No terceiro, mostraram-se os palácios de San’â (do Iêmen). Jibrîl (alaihis-salâm) informou-me: ‘Também daquele lugar a tua umma se apoderará.’”
Depois, quando o Sultão do universo descreveu o palácio do Cosroes persa em Madâin, Salmân, que era daquela terra, disse: “Que a minha vida te seja sacrificada, yâ Rasûlallah! Juro por Allahu ta’âlâ, que te enviou com a religião verdadeira e com o Livro, que aqueles palácios são exatamente como os descreveste. Dou testemunho de que és o Rasûl de Allahu ta’âlâ.” Nosso Mestre, o Profeta, disse: “Ó Salmân! A Síria certamente será conquistada. Heráclio fugirá para o lugar mais remoto de seu país. Vós dominareis a Síria de um extremo ao outro. Ninguém poderá resistir-vos. O Iêmen certamente será conquistado. Também esta ‘Terra do Oriente’ certamente será conquistada, e o Cosroes será morto. Allahu ta’âlâ vos concederá estas conquistas depois de mim.”4
Salmân Fârisî contou: “Vi realizarem-se todas estas boas novas de nosso Mestre Rasûlullah.”
O inimigo estava prestes a chegar. A trincheira era cavada com a máxima rapidez, procurando-se terminá-la o quanto antes. Os mujâhids só deixavam o trabalho em caso de necessidade, pedindo licença a nosso Mestre, o Profeta, e, satisfeita a necessidade, corriam de novo ao trabalho.
Os hipócritas, ao contrário, agiam com grande negligência: vinham trabalhar quando queriam e iam embora quando queriam, sem pedir licença. Além disso, zombavam do modo como os Companheiros trabalhavam e até das boas novas dadas por nosso Mestre, o Profeta, dizendo: “Nós nos refugiamos nas trincheiras por medo do inimigo, e ele nos promete os palácios do Iêmen, dos bizantinos e da Pérsia. Espantamo-nos com este vosso estado!…”
Então, no versículo sagrado revelado a respeito dos mujâhids, foi dito, em sentido: “Os verdadeiros crentes são somente aqueles que creem em Allahu ta’âlâ e em Seu Rasûl e que, quando estão com ele (com Rasûlullah) para um assunto coletivo (que diz respeito a todos), não se retiram sem lhe pedir licença. Portanto, (ó Meu Habîb!) os que te pedem licença são os que verdadeiramente creem em Allahu ta’âlâ e em Seu Rasûl. Quando esses crentes te pedirem licença para alguns de seus afazeres, dá licença a quem quiseres dentre eles e pede para eles o perdão de Allahu ta’âlâ. Certamente, Allahu ta’âlâ é Ghafûr ar-Rahîm, muito perdoador, muito misericordioso.”5
Nos versículos sagrados revelados a respeito dos hipócritas foi dito, em sentido: “Não considereis o chamado do Rasûl de Allahu ta’âlâ como o chamado que fazeis uns aos outros entre vós! Allahu ta’âlâ certamente conhece aqueles dentre vós que, escondendo-se uns atrás dos outros, fogem (escapulindo) às escondidas. Que os que se opõem à Sua ordem se guardem de cair numa provação neste mundo e num castigo doloroso na outra vida! Atenção! Tudo o que há nos céus e na terra pertence a Allahu ta’âlâ. Ele sabe em que estado estais (todas as vossas características e intenções, se sois crentes ou hipócritas). No Dia do Juízo, em que sereis levados de volta a Ele, Allahu ta’âlâ vos informará de tudo o que fizestes. Allahu ta’âlâ sabe todas as coisas.”6
Seis dias se haviam passado desde o início da escavação. Cada um terminara devidamente o seu trabalho. Mas um lugar, por falta de tempo, não pôde ser cavado largo e profundo. Nosso Mestre, o Profeta, manifestou sua preocupação com esse lugar, dizendo: “Os politeístas não poderão passar por outro lugar senão por aqui.” E colocou ali sentinelas.
Allahu ta’âlâ é o melhor dos protetores
Quando o exército politeísta já estava muito perto de Medina, Huyayy, chefe dos judeus filhos de Nadîr, informou o comandante do exército de Quraysh de que os judeus de Qurayza, em Medina, estavam em pacto com os muçulmanos, mas que ele podia enganar o chefe deles, Ka’b ibn Asad, e atraí-lo para o seu lado. O comandante disse: “Ó Huyayy! Vai imediatamente procurar Ka’b ibn Asad. Que rompam o pacto feito com os muçulmanos e nos ajudem.” Um dos artigos desse pacto era este: “Se um exército inimigo atacar Medina, unir-se aos muçulmanos e resistir ao inimigo.”
O judeu Huyayy separou-se do exército politeísta e, à noite, foi à casa de Ka’b, chefe dos Banû Qurayza. Bateu à porta, deu-se a conhecer e disse: “Ó Ka’b! Trouxe todo o exército de Quraysh e muitas tribos, como os filhos de Kinâna e de Ghatafân – um exército de dez mil homens. Agora Muhammad e seus Companheiros não poderão salvar-se. Juramos, com os coraixitas, não sair daqui até aniquilá-los por completo!…” Ka’b manifestou sua preocupação: “Se Muhammad e seus Companheiros não puderem ser mortos, e os coraixitas e os de Ghatafân voltarem para suas terras, ficaremos sozinhos aqui. Temo que, no fim, nos matem a todos!…” Huyayy disse: “Para que esse medo desapareça, pede setenta homens dos coraixitas e dos de Ghatafân como reféns. Enquanto esses reféns estiverem contigo, eles não poderão ir embora daqui. Se forem vencidos e partirem, eu não me separarei de vós. A desgraça que vos atingir atingirá também a mim.” Assim enganou Ka’b e, depois dele, os demais judeus. Fê-los rasgar o tratado feito com os muçulmanos. Desse modo, o pacto foi rompido.
Huyayy voltou ao exército politeísta e contou o que se passara. Informou que os Banû Qurayza atacariam os muçulmanos pelas costas.
“Ó gente da Trincheira! Jâbir preparou-nos um banquete e convida-nos para comer. Sua comida é abundante e boa. Levantai-vos! Vamos ao banquete de Jâbir!” Hadîth sharîf
No sétimo dia, os politeístas, com um grande exército de dez mil homens, chegaram ao lado norte e noroeste de Medina e ali montaram o seu acampamento. Esse acampamento ficava do outro lado do lugar onde fora cavada a trincheira. O propósito dos politeístas era, com esse grande exército, queimar e arrasar Medina de ponta a ponta, eliminar nosso Mestre, o Profeta, e seus Companheiros e aniquilar o Islã. Na aparência, era um exército enorme, ao qual era difícil resistir. Ao verem o obstáculo da trincheira, que nem lhes passara pela imaginação, os politeístas ficaram atônitos e desanimaram, pois a trincheira era tão larga que nem um bom cavalo a galope a podia saltar. Quem nela caísse também não sairia com facilidade, e para um homem de cota de malha era dificílimo trepar para fora. Ao saber da chegada dos politeístas, nosso amado Profeta reuniu imediatamente seus Companheiros, cansados por seis dias de trabalho ininterrupto, e montou o acampamento deste lado da trincheira, no sopé do monte Sal’. Atrás deles estavam o monte Sal’ e Medina; à frente, a trincheira, e além dela, o inimigo… Novamente Ibn Umm Maktûm foi deixado em Medina como substituto de nosso Mestre, o Profeta. As mulheres e as crianças foram instaladas nas fortificações. O exército islâmico de três mil homens tinha trinta e seis cavaleiros. Os estandartes eram levados por Zayd ibn Hâritha e Sa’d ibn Ubâda.7 A tenda de couro de nosso Mestre Rasûlullah foi armada no sopé do monte Sal’. Os Companheiros, que ainda haviam de mostrar tantos atos de heroísmo, começaram a seguir com atenção os movimentos do inimigo. Nesse momento, viu-se Umar chegar à presença de nosso amado Profeta. Disse: “Yâ Rasûlallah! Ouvi dizer que os judeus de Qurayza romperam o pacto que havia entre nós e se preparam para a guerra contra nós!” A essa notícia inesperada, o Mestre dos mundos respondeu: “Hasbunallahu wa ni’mal wakîl (Allahu ta’âlâ nos basta. Que excelente protetor Ele é!)”. Ficou muito aflito. O exército islâmico estava agora entre dois fogos: ao norte e a oeste, os exércitos politeístas; a sudeste, os judeus. Nosso Mestre Rasûlullah enviou Zubayr ibn Awwâm à fortaleza dos filhos de Qurayza. Zubayr foi e informou-se da situação. Ao voltar, contou o que vira: “Yâ Rasûlallah! Vi-os reparar suas fortalezas e fazer exercícios e manobras de guerra. Além disso, estavam juntando os seus animais.” Então Habîb-i akram (sallallahu alaihi wa sallam) enviou Sa’d ibn Mu’âdh, Sa’d ibn Ubâda, Khawwât ibn Jubayr, Amr ibn Awf e Abdullah ibn Rawâha aos filhos de Qurayza para os aconselharem e fazerem renovar o pacto.8 Esses cinco Companheiros incumbidos da missão foram à fortaleza dos judeus de Qurayza e aconselharam-nos. Mas o conselho de nada serviu. Além disso, os judeus começaram a insultá-los. Como última palavra, disseram: “Ao expulsardes de sua terra os nossos irmãos, os filhos de Nadîr, quebrastes-nos os braços e as asas. E quem é Muhammad, afinal? Entre ele e nós não há palavra nem pacto algum. Juramos lançar-nos todos juntos sobre o vosso Profeta e matá-lo. Certamente apoiaremos e ajudaremos os nossos irmãos!…” Sa’d ibn Mu’âdh e seus companheiros vieram à presença de nosso Mestre Rasûlullah e relataram a situação de forma velada, para que nem todos a entendessem. Nosso Mestre, o Profeta, disse: “Guardai segredo da vossa notícia. Revelai-a somente a quem já a sabe. Pois a guerra consiste em estratégia e em ardil.”9
Os Companheiros, deste lado da trincheira, esperavam nosso Mestre, o Profeta, perguntando-se como haveriam de agir. Pouco depois, o Sultão do universo veio até seus heroicos Companheiros e proferiu o takbîr: “Allahu akbar! Allahu akbar!” Ao ouvi-lo, os gloriosos Companheiros proferiram o takbîr a uma só voz, proclamando a grandeza do nome abençoado de Janâb-i Haqq, e lançaram o medo nos corações dos descrentes que, do outro lado da trincheira, fervilhavam como areia. Ao ouvirem os takbîrs, os politeístas disseram: “Certamente chegou a Muhammad e a seus Companheiros alguma notícia alegre.”
Nosso Mestre, o Profeta, deu aos Companheiros a boa nova de que sairiam vitoriosos, dizendo: “Ó comunidade dos muçulmanos! Alegrai-vos com a conquista e o socorro de Allahu ta’âlâ!” Os gloriosos Companheiros haviam participado até então de muitas sariyyas (destacamentos) e das batalhas de Badr e de Uhud. Pela permissão de Allahu ta’âlâ e pela bênção da dua de Rasûl-i akram, tinham derrotado todas as vezes os politeístas, superiores em número e em força. Tendo à frente a “Coroa” de todos os seres, não podia haver trabalho que não conseguissem fazer nem dificuldade que não pudessem suportar. O tempo era frio, a penúria severa, a fome extrema… Muitos, inclusive nosso Mestre, o Profeta, tinham pedras amarradas ao ventre abençoado. Do outro lado, o inimigo fervilhava como areia! Mas, para os gloriosos Companheiros, a multidão dos inimigos e as dificuldades que suportavam não tinham importância. Allahu ta’âlâ era o melhor dos protetores… A Ele estavam ligados, Nele se apoiavam, Nele se refugiavam. Os principais comandantes de Quraysh e os chefes das outras tribos que tinham vindo com Quraysh, antes de decidirem um ataque geral, começaram a procurar ao longo da trincheira um lugar por onde pudessem passar. Percorreram a trincheira de uma ponta à outra. Por fim, detiveram-se no lugar estreito que ficara inacabado por causa da pressa e concluíram que seria conveniente atacar por ali. Os soldados politeístas seguiam seus comandantes e, olhando ora para a trincheira, ora para os gloriosos Companheiros, ficavam perplexos. Diziam: “Juramos que este não é um método a que os árabes recorram. Certamente foi aquele homem persa quem o aconselhou!” Quando os comandantes coraixitas, mostrando aos soldados o lugar estreito da trincheira, perguntaram: “Quem é capaz de saltar por aqui e passar para o outro lado?”, cinco cavaleiros destacaram-se dentre eles. Pretendiam passar para o outro lado da trincheira e combater ali um contra um. Os gloriosos Companheiros e os soldados politeístas começaram a observar com curiosidade o que esses cinco cavaleiros fariam. Os cavaleiros recuaram para tomar impulso. Depois voltaram a cabeça dos cavalos para o lugar mais estreito da trincheira e lançaram-nos a toda a brida. Os cinco cavalos de raça, correndo a galope, conseguiram passar de um salto para o outro lado da trincheira. Muitos cavaleiros quiseram segui-los, mas não conseguiram e ficaram do outro lado. Entre os que passaram havia um lutador muito forte, chamado Amr ibn Abdûd, que nunca fora derrubado; todos o temiam e ninguém ousava enfrentá-lo. Sozinho, valia por um exército. O fato de ser ele quem, dentre um exército de dez mil homens, se apresentava ali bem o mostrava. Estava coberto de cota de malha da cabeça aos pés. Montado em seu cavalo, tinha um porte imponente. Esse homem, cuja simples aparência lançava o medo nos corações, gritou aos mujâhids: “Se há alguém capaz de lutar comigo, que saia ao campo!…” Ao ver esse monumento de soberba, Alî foi à presença de nosso amado Profeta e pediu licença: “Que a minha vida te seja sacrificada, yâ Rasûlallah! Deixa-me lutar com ele.” Alî nem sequer tinha uma cota de malha sobre si.
“Ó Salmân! A Síria certamente será conquistada. Heráclio fugirá para o lugar mais remoto de seu país. Vós dominareis a Síria de um extremo ao outro. Ninguém poderá resistir-vos. O Iêmen certamente será conquistado. Também esta ‘Terra do Oriente’ certamente será conquistada, e o Cosroes será morto. Allahu ta’âlâ vos concederá estas conquistas depois de mim” Hadîth sharîf
Os Companheiros olhavam para ele com santa inveja. Nosso amado Profeta tirou a sua própria cota de malha abençoada e vestiu-a em Alî. Cingiu-lhe a sua espada. Tirou o turbante de sua cabeça abençoada e enrolou-o, com suas próprias mãos abençoadas, na cabeça de Alî. Depois fez esta dua, suplicando: “Ó Allah! Na Batalha de Badr, Ubayda, filho de meu tio, e na Batalha de Uhud, meu tio Hamza tornaram-se mártires. Comigo ficou Alî, meu irmão e filho de meu tio. Protege-o Tu. Concede-lhe o Teu socorro. Não me deixes sozinho!” Os Companheiros disseram: “Âmîn!” Em meio às duas e aos takbîrs, o Leão de Allahu ta’âlâ, avançando a pé, plantou-se diante de Amr ibn Abdûd, que estava montado em seu cavalo como um fantasma gigantesco. Amr, coberto de cota de malha em toda a parte exceto nos olhos, não reconheceu esse herói e perguntou-lhe quem era. Quando ele se apresentou, dizendo: “Sou Alî ibn Abû Tâlib”, Amr, como se tivesse pena dele, disse: “Ó filho de meu irmão! Teu pai é meu amigo. Por isso não quero derramar o teu sangue. Não há entre os teus tios alguém que possa enfrentar-me?” Alî, porém, provocou-o: “Ó Amr! Por Allah, eu quero derramar o teu sangue. Mas não é necessário que estejamos ambos em condições iguais? Não é isso o que convém à honra da bravura? Eu estou a pé, e tu, a cavalo!…”
Ao ouvir isso, inflamou-se em Amr o brio da valentia: desceu imediatamente do cavalo, cortou-lhe as patas com a espada e, furioso, plantou-se diante de Alî. Quando estava prestes a atacar, o Leão de Allahu ta’âlâ perguntou: “Ó Amr! Ouvi dizer que juraste que, ao encontrares alguém de Quraysh, atenderias a um de seus dois pedidos. É verdade?” Quando ele respondeu: “Sim, é verdade”, Alî convidou-o à fé: “Então, o meu primeiro pedido é que creias em Allahu ta’âlâ e em Seu Rasûl e te tornes muçulmano!” Ao ouvir isso, Amr irritou-se e disse: “Deixa isso! Não preciso disso!” Alî disse: “O meu segundo pedido é que deixes o combate e voltes a Meca. Pois, se Rasûl alaihis-salâm vencer o inimigo, tu o terás ajudado com essa atitude!…” Quando Amr disse: “Deixa também isso! Jurei não me perfumar enquanto não me vingar. Se tens outro pedido, dize qual é!”, Alî respondeu: “Ó inimigo de Allahu ta’âlâ! Agora não resta nada senão combater contigo!”
Amr riu-se dessas palavras e disse: “Que coisa espantosa! Nunca me passou pela cabeça que na terra dos árabes houvesse um valente capaz de me enfrentar! Ó filho de meu irmão! Juro que não quero matar-te, pois teu pai era meu amigo. Eu queria diante de mim alguém dos nobres de Quraysh, como Abû Bakr ou como Umar.” Quando Alî disse: “Seja como for, eu vim aqui para matar-te”, o sangue subiu à cabeça de Amr. Levantar a espada e descê-la foi um só movimento. O Leão de Allahu ta’âlâ, Alî (karramallahu wajhah), que esperava algo assim, saltou para o lado como um relâmpago e aparou o golpe com o escudo. Mas Amr já despedaçara muitos escudos como aquele. Nem os escudos mais fortes resistiam ao seu golpe. E assim foi também desta vez. O escudo de Alî despedaçou-se, e, além disso, a espada roçou-lhe a cabeça e feriu-o. Agora era a vez de Alî atacar.
Refugiando-se em Allahu ta’âlâ e dizendo “Yâ Allah!..”, desceu a Dhulfiqâr sobre o pescoço de Amr. No mesmo instante, no exército islâmico ergueram-se brados de “Allahu akbar!.. Allahu akbar!..”, que fizeram ressoar a terra e o céu, e no exército dos descrentes levantaram-se gritos de lamento… Sim, a dua do Sultão dos profetas, a coroa de todos os seres, fora aceita. O colosso Amr estava estendido no chão; o sangue jorrava de seu corpo como de uma calha, e a cabeça voara com o elmo. Ao verem tombado Amr, em quem mais confiavam, seus companheiros lançaram-se imediatamente sobre Alî. Vendo isso, os Companheiros acorreram àquele lugar. Zubayr ibn Awwâm feriu Nawfal ibn Abdullah e fê-lo cair com o cavalo dentro da trincheira.
Alî desceu à trincheira e partiu Nawfal em dois. Os outros atravessaram a trincheira a muito custo e fugiram para trás. O comandante-chefe do exército politeísta, por sua vez, caíra em grande desespero logo no início da batalha.
Agora a forma da batalha estava definida. A trincheira impedia o combate corpo a corpo. Procuraram causar baixas uns aos outros com flechadas. Isso não servia senão para adiar o desfecho. Os politeístas, compreendendo que dessa maneira não conseguiriam vencer, decidiram que o caminho mais conveniente seria atacar por todos os lados da trincheira e lançaram-se ao ataque. O enorme exército inimigo de dez mil homens esforçava-se por atravessar a trincheira, e o glorioso exército islâmico de três mil homens empenhava-se, com flechas e pedras, em não os deixar passar. Começara uma luta terrível. Essa luta durou até o anoitecer.
À noite, Rasûl-i akram (sallallahu alaihi wa sallam) colocou sentinelas em vários pontos da trincheira. Ele próprio começou a montar guarda no lugar estreito. Enviou a Medina uma patrulha de quinhentos homens e ordenou-lhes que proferissem o takbîr em voz alta pelas ruas. Assim, qualquer perigo que pudesse vir dos judeus ou dos politeístas de Quraysh seria prevenido a tempo, e as mulheres e as crianças ficariam protegidas.
Os judeus de Qurayza, por sua vez, enviaram Huyayy ibn Akhtab aos politeístas e pediram uma força de dois mil homens para fazer ataques noturnos. Pretendiam atacar de noite as mulheres e as crianças que tinham ficado sem defesa. Mas as rondas que os mujâhids faziam até o amanhecer e o takbîr que proferiam com brados de “Allahu akbar!” lançaram-lhes no coração um grande medo. Retiraram-se para as suas fortalezas e puseram-se à espera de uma ocasião. De tempos em tempos, tentavam entrar em Medina em pequenos grupos.
Uma noite, Ghazzâl, um dos notáveis dos filhos de Qurayza, com uma tropa de dez homens, conseguiu chegar até a casa fortificada onde estava nossa mãe Safiyya, tia paterna de nosso Mestre, o Profeta. Lá dentro havia mulheres e crianças. Não tinham uma única arma para se defender. Os judeus começaram primeiro a atirar flechas contra a casa e depois tentaram entrar. Um deles conseguiu passar ao pátio interno e começou a examinar os arredores para ver como entrar. Nesse momento, a heroica tia de nosso amado Profeta recomendou aos que estavam com ela que não fizessem nenhum ruído, desceu e foi até junto da porta. Envolveu bem a cabeça com um pano, tomando a aparência de um homem; pegou uma vara e pôs uma faca à cintura. Abriu devagar a porta, aproximou-se por trás daquele judeu e desceu-lhe a vara com violência sobre a cabeça. Sem perder um instante, matou o judeu que caíra por terra. Depois lançou a cabeça do judeu morto aos judeus que, lá fora, estavam ocupados em atirar flechas. Ao verem a cabeça cortada de seu companheiro a seus pés, os judeus foram tomados de grande medo e começaram a fugir.
Ao mesmo tempo, resmungavam: “Disseram-nos que os muçulmanos tinham mandado todos os seus homens para a guerra, sem deixar um único homem em casa!…”10 De manhã, o combate continuou com a mesma violência. As flechas voavam zunindo pelo ar. O Mestre dos mundos (sallallahu alaihi wa sallam) disse a seus gloriosos Companheiros: “Juro por Allahu ta’âlâ, em cuja mão de poder está a minha existência, que as dificuldades que enfrentamos certamente vos serão tiradas, e sereis conduzidos ao alívio.” Assim os aconselhou a ter paciência e deu-lhes a boa nova de que a vitória pertenceria aos crentes. Ao receberem essa boa nova, os heroicos Companheiros esqueceram dificuldades como a fome e a penúria.
“Ó comunidade dos muçulmanos! Alegrai-vos com a conquista e o socorro de Allahu ta’âlâ!” Hadîth sharîf
Empenharam-se de corpo e alma e não deixaram nem um só politeísta atravessar a trincheira.
Sa’d ibn Mu’âdh, um dos mais destacados Companheiros, combatia com grande heroísmo. Durante o combate, foi ferido no braço por uma flecha disparada por um politeísta chamado Hibbân ibn Qays ibn Araqa. A flecha atingiu-lhe uma artéria e fê-lo perder muito sangue. Ferido, vendo os que o rodeavam esforçarem-se para estancar o sangue, Sa’d compreendeu que seu estado era grave e fez esta dua: “Ó meu Senhor! Se Quraysh vai continuar a guerra, concede-me vida. Pois nada me agrada tanto quanto combater esses politeístas que atormentaram o Teu Rasûl e o desmentiram. Se a guerra entre nós está terminando, eleva-me ao grau de mártir. Mas não tomes a minha alma antes que eu veja o fim dos Banû Qurayza.” Sua dua foi aceita, e o sangue estancou. Os hipócritas, como Abdullah ibn Ubayy, que pareciam combater entre os Companheiros, agiam com muita lentidão e não se aproximavam das linhas da frente. Além disso, faziam tudo o que podiam para abater o ânimo dos mujâhids e procuravam semear a discórdia, dizendo: “Muhammad não cessa de vos prometer os tesouros do imperador bizantino e do Cosroes. Mas agora estamos encerrados dentro da trincheira. Por medo, nem sequer podemos sair para satisfazer as nossas necessidades. Allah e Seu Rasûl não fazem outra coisa senão enganar-nos, nem nos prometem coisa alguma deste mundo!…” Quando se viam em apuros, tomavam como pretexto que o inimigo podia atacar as suas casas e abandonavam os seus postos. Esse comportamento dos hipócritas era mais um tormento, mais uma dificuldade. O exército politeísta empregava toda a sua força para chegar quanto antes a um desfecho, mas diante da heroica defesa dos honrados Companheiros nada conseguia. O lugar que mais atacavam era a passagem estreita. Nosso amado Profeta não se afastava dali e incitava seus Companheiros ao combate. Os Companheiros, desejando alcançar a honra de combater ao lado de nosso Mestre, o Profeta, mostraram no campo de batalha atos de heroísmo nunca vistos. A certa altura, viu-se que os politeístas começavam a disparar uma chuva violenta de flechas. Todas visavam a tenda onde estava o Sultão do universo.
Uma cota de malha cobria o corpo abençoado de nosso amado Profeta, e sobre sua cabeça abençoada havia um elmo. Mantinha-se de pé, firme, diante da tenda e, conforme o rumo da batalha, dava ordens a seus Companheiros. Às vezes os politeístas investiam de repente contra o ponto que parecia mais fraco, e os abençoados Companheiros acorriam para lá e combatiam com amor ardente até rechaçar os inimigos da religião.
“Um só golpe de espada de Alî vale mais do que os atos de adoração de todos os homens e jinns” Hadîth sharîf
A Batalha da Trincheira
Essa luta sem igual era violentíssima: os heroicos Companheiros não tinham tempo nem de olhar para os lados. Naquele dia, a luta que começara de manhã prolongou-se até horas avançadas. Sempre que chegava a hora de um namâz, os gloriosos Companheiros diziam: “Yâ Rasûlallah! Não conseguimos fazer o nosso namâz”, e o Mestre dos mundos, o Sultão do universo, respondia com grande tristeza: “Por Allah, também eu não consegui fazê-lo.” Por volta da hora do namâz da noite, com um ataque muito violento, repeliram e dispersaram o bando de politeístas que não os deixava praticar a adoração. Os coraixitas e os de Ghatafân, não conseguindo recompor-se dessa dispersão, retiraram-se para o seu acampamento para passar a noite. Os mujâhids dirigiram-se para a tenda de nosso amado Profeta. Então o Orgulho do mundo (sallallahu alaihi wa sallam), enviado como misericórdia para os mundos, embora não fosse seu nobre costume amaldiçoar, não pôde conter-se por causa do namâz e amaldiçoou os politeístas, dizendo: “Assim como eles nos ocuparam até o pôr do sol e nos impediram de fazer o nosso namâz, que Allahu ta’âlâ também lhes encha de fogo as casas, os ventres e os túmulos!” Depois de fazer os namâz do meio-dia, da tarde e do pôr do sol, que tinham ficado para qadâ, dirigiu como imã o namâz da noite.
Ó meu Senhor, derrota os descrentes
Depois dessas lutas que travaram para aniquilar completamente o Islã, os politeístas compreenderam que os muçulmanos não podiam ser vencidos de dia. Para eles, o único remédio era organizar, com a mesma violência, ataques noturnos. Só assim os muçulmanos poderiam ser vencidos. Puseram logo em prática essa decisão e começaram a fazer ataques noturnos juntamente com os judeus filhos de Qurayza. Os politeístas, que haviam dividido seus soldados em grupos, atacavam por turnos. Essa situação continuou durante dias. Nosso amado Profeta, à frente, e os heroicos Companheiros, embora famintos, sem dormir e cansados, continuaram a defesa. Não deixaram nenhum soldado inimigo atravessar a trincheira para este lado. Essa defesa, feita de corpo e alma, foi mais temível, mais violenta, mais penosa e mais árdua do que todas as expedições anteriores.
Entre os politeístas, que combatiam havia dias, começou a faltar comida. Seus cavalos e camelos também começaram a morrer, pois não encontravam no chão nem um punhado de erva seca. Por isso, o comandante dos politeístas enviou aos judeus de Qurayza uma tropa, sob o comando de Dirâr ibn Khattâb, para obter provisões. Os judeus, que tudo sacrificavam pelos descrentes, entregaram imediatamente vinte cargas de camelo de trigo, cevada, tâmaras e palha para os animais. Quando Dirâr voltava alegre com seus soldados, encontraram, perto de Qubâ, um grupo de Companheiros. Os heroicos Companheiros atacaram de imediato. Depois de um combate sangrento, puseram os politeístas em fuga, entregaram os camelos carregados a nosso Mestre, o Profeta, e receberam dele muitas duas.11 O Sultão do universo (sallallahu alaihi wa sallam), nesse combate violento que durou quase um mês, compadecia-se de seus heroicos Companheiros, que passavam por situações muito difíceis, e mostrava-lhes uma ternura muitas vezes maior que a de seus próprios pais. Diante desses esforços sobre-humanos de seus gloriosos Companheiros, ele punha no chão a fronte abençoada e implorava assim a Allahu ta’âlâ por eles:
“Ó Tu, que socorres os que estão em aperto! Ó Allah, Tu que respondes à dua dos necessitados e dos desamparados! Tu certamente vês e conheces o meu estado e o de meus Companheiros. Ó meu Senhor! Derrota os descrentes, semeia a discórdia entre eles, dá-nos o socorro contra eles e concede-nos a vitória!..”
Nos últimos dias, nosso amado Profeta repetia com frequência essa dua. Os politeístas, por causa dos sofrimentos que a penúria também lhes trazia, empregavam todas as suas forças para eliminar quanto antes os muçulmanos. Numa tarde em que assim combatiam, um homem do exército politeísta, em cujo coração entrara o amor ao Islã, veio à presença de nosso Mestre, o Profeta. Era Nu’aym ibn Mas’ûd, da tribo de Ghatafân. Disse a nosso amado Profeta: “Yâ Rasûlallah! Vim para confirmar que Allahu ta’âlâ é Um e que tu és profeta verdadeiro. Louvado seja Allah, fui honrado com o Islã. Até agora combati contra ti. Daqui em diante combaterei contra os descrentes. Estou pronto a fazer o que me ordenares! Yâ Rasûlallah! Nem sequer a minha gente sabe que me tornei muçulmano.” Rasûl-i akram disse: “Podes entrar no meio desses descrentes e, semeando a discórdia, procurar separá-los uns dos outros?” Ele respondeu: “Yâ Rasûlallah! Com a ajuda de Allahu ta’âlâ, posso separá-los uns dos outros. Mas tenho permissão para dizer o que eu quiser?” Nosso Mestre disse: “A guerra é ardil; podes dizer o que quiseres.”
Nu’aym ibn Mas’ûd foi primeiro procurar os judeus de Qurayza e disse: “Conheceis o afeto que vos tenho. Mas o que vamos falar deve ficar entre nós; que ninguém o saiba!” Os judeus juraram: “Ninguém saberá.” Então Nu’aym disse: “O assunto deste homem (de nosso Mestre, o Profeta) é sem dúvida uma calamidade. Sabeis o que ele fez aos filhos de Nadîr e de Qaynuqâ. Todos vistes como os expulsou de suas terras e de seus lares. Agora os coraixitas e os de Ghatafân vieram e estão combatendo os muçulmanos, e vós os ajudais. Embora combatamos há dias, ainda não chegamos a nenhum resultado. Se continuar assim, parece que o cerco vai prolongar-se. Os bens, as propriedades, as terras e os filhos dos coraixitas e dos de Ghatafân não estão aqui como os vossos. Se nesta guerra encontrarem ocasião e vencerem, recolherão os despojos e irão embora. Se forem derrotados, irão embora e vos deixarão sozinhos frente a frente com os muçulmanos. E vós não tendes força nem poder para enfrentar os muçulmanos. O estado atual da guerra mostra que os muçulmanos alcançarão a vitória. Se acontecer o que suponho, os muçulmanos vos passarão a fio de espada. Por isso, precisamos tomar depressa uma providência!…”12 Os judeus, que escutaram essas palavras com grande agitação e medo, ficaram muito satisfeitos por Nu’aym se preocupar tanto com eles e disseram: “Mostraste-nos devidamente a tua amizade. Dize-nos também que providência devemos tomar.” Nu’aym ibn Mas’ûd, que esperava precisamente isso, disse: “O certo é isto: não entreis de modo algum na guerra contra os muçulmanos sem tomar como reféns alguns dos notáveis de Quraysh e de Ghatafân! Enquanto os reféns estiverem convosco, eles não poderão fugir da guerra!” Os judeus, achando que era uma excelente providência, agradeceram-lhe e trataram-no com honras e obséquios. Nu’aym deixou os judeus e foi diretamente ao acampamento de Quraysh. Disse aos seus comandantes: “Sabeis da minha inimizade contra Muhammad e de quanto vos estimo. Soube de uma coisa e, como exige a nossa amizade, considerei um grande dever comunicá-la a vós. Mas deveis prometer-me e jurar que não deixareis ninguém saber o que vou dizer!” Eles juraram e disseram com curiosidade: “Fala, nós te escutamos.” Ele disse: “Ficai sabendo que os judeus de Qurayza se arrependeram de se terem aliado a vós e mandaram dizer a Muhammad: ‘Tomaremos como reféns, para lhes cortarem a cabeça, alguns dos notáveis de Quraysh e de Ghatafân e os entregaremos a ti. Depois, unidos a ti, combateremos até arrancar pela raiz os politeístas! Mas deves perdoar os nossos irmãos, os filhos de Nadîr, e devolver-lhes as suas terras!’ E Muhammad aceitou esses pedidos dos judeus! Se os judeus vos pedirem reféns, não aceiteis de modo algum: eles os matarão a todos! Que ninguém ouça o que vos disse!…” Os coraixitas agradeceram muito a Nu’aym por essa notícia importante e trataram-no com grande consideração.
“Juro por Allahu ta’âlâ, em cuja mão de poder está a minha existência, que as dificuldades que enfrentamos certamente vos serão tiradas, e sereis conduzidos ao alívio” Hadîth sharîf
Nu’aym ibn Mas’ûd (radiyallahu anh) saiu dali e foi procurar os de Ghatafân. Contou-lhes também o que contara aos coraixitas.
Um dia depois, o comandante de Quraysh mandou dizer aos filhos de Qurayza: “Ficar aqui tornou-se agora muito difícil para nós, pois o tempo está frio, e os nossos animais estão morrendo de fome. Preparemo-nos bem esta noite e amanhã lancemos todos juntos um ataque violento.” Os judeus responderam: “Primeiro, nós não combatemos no sábado. Segundo, para podermos participar do combate convosco, deveis entregar-nos como reféns muitos dos vossos notáveis. Se o cerco se prolongar e vós, impotentes, voltardes para a vossa terra, nos tereis entregado a Muhammad. Se nos derdes reféns, não nos abandonareis!…” Quando essa notícia chegou ao comandante de Quraysh, ele disse: “Então as palavras de Nu’aym ibn Mas’ûd eram verdadeiras!” Os coraixitas mandaram de novo dizer aos judeus: “Não vos daremos como refém nem um só de nossos homens. Se amanhã vierdes combater conosco, muito bem; senão, voltaremos para a nossa terra, e vós ficareis frente a frente com Muhammad e seus Companheiros!…”
Ao ouvirem isso, os judeus de Qurayza pensaram que as palavras de Nu’aym se tinham confirmado e responderam: “Nesse caso, também nós não combateremos convosco contra os muçulmanos…” Assim, o medo entrou no coração de ambos os lados.13 Jibrîl alaihis-salâm veio a nosso Mestre, o Profeta, e deu-lhe a boa nova de que Allahu ta’âlâ desbarataria os politeístas com um furacão. Então o Mestre dos mundos pôs-se de joelhos, estendeu as mãos abençoadas e exprimiu a sua gratidão a Allahu ta’âlâ, dizendo: “Ó Allah! Agradeço-Te por teres tido compaixão de mim e de meus Companheiros.” Depois comunicou a boa nova aos seus heroicos Companheiros. Aquela era a noite que antecede o sábado. Uma escuridão terrível cobria tudo; não se via um palmo adiante do nariz. Depois veio um frio intenso e, a seguir, começou a soprar um vento fortíssimo.
Hudhayfa ibn Yamân contou assim essa noite: “Estávamos numa noite tal que nunca, até então, tínhamos visto noite mais escura. Com essa escuridão espessa começou também a soprar um vento terrível, com um estrondo semelhante ao do trovão. Nesse momento, nosso Mestre, o Profeta, informou-nos de que o exército politeísta fora tomado de agitação e medo e de que haviam caído em desacordo entre si. Nós, por causa do frio intenso, da fome e do horror da noite, não conseguíamos levantar-nos; esperávamos onde estávamos, cobertos com alguma coisa. Rasûlullah pôs-se a fazer o namâz e passou nele parte da noite.
Depois, voltando-se para nós, disse: ‘Há entre vós alguém que vá até o exército politeísta, examine a sua situação e me traga notícias? Pedirei a Allahu ta’âlâ que quem trouxer esta notícia seja meu companheiro no Paraíso.’ Os que ali estavam, por causa da fome e do frio intensos, não conseguiram levantar-se. Então nosso Mestre Rasûlullah veio para junto de mim. Eu estava sentado sobre os joelhos, encolhido de frio e de fome. Nosso Mestre Rasûlullah tocou-me e perguntou: ‘Quem és tu?’ Eu disse: ‘Sou Hudhayfa, yâ Rasûlallah.’ Nosso Mestre Rasûlullah disse: ‘Vai e vê o que faz essa gente! Até voltares para junto de mim, não lhes atires flechas nem pedras, nem os golpeies com lança ou espada. Até voltares para junto de mim, não sofrerás dano nem do frio nem do calor, não serás feito prisioneiro nem torturado.’
Peguei minha espada e meu arco e preparei-me para partir. Nosso Mestre Rasûlullah fez dua por mim: ‘Ó Allah, protege-o pela frente e por trás, pela direita e pela esquerda, por cima e por baixo.’
Comecei a caminhar em direção aos politeístas. Era como se eu andasse dentro de um banho quente. Por Allah, não havia em mim nem medo, nem frio, nem arrepio. Por fim cheguei ao acampamento dos politeístas. Seus comandantes e notáveis tinham acendido uma fogueira num abrigo e aqueciam-se. Abû Sufyân dizia: ‘É preciso partir daqui.’ Imediatamente me veio à mente matá-lo ali mesmo. Tirei uma flecha da aljava e coloquei-a no arco. Quis atingi-lo aproveitando a luz do fogo. No exato momento em que ia disparar, lembrei-me de que Rasûlullah dissera: ‘Até voltares para junto de mim, não provocarás nenhum incidente’, e desisti de matá-lo. Depois disso, encontrei em mim uma forte coragem. Esgueirei-me para o meio dos politeístas e sentei-me junto ao fogo. O vento violentíssimo, como nunca se vira, e o exército invisível de Allahu ta’âlâ (os anjos) faziam-lhes o que haviam de fazer. Com o vento, suas panelas tombavam, seus fogos e suas luzes apagavam-se e suas tendas desabavam sobre suas cabeças. A certa altura, Abû Sufyân, comandante do exército politeísta, levantou-se e disse: ‘Entre vós pode haver vigias e espiões; tomai cuidado! Que cada um veja quem está ao seu lado! Que cada um segure a mão de quem está sentado junto dele!’ Abû Sufyân parecia ter pressentido que um estranho entrara entre eles. Estendi imediatamente as mãos, segurei as mãos dos dois homens sentados à minha direita e à minha esquerda e, antes que eles me perguntassem, perguntei-lhes os nomes. Assim evitei ser reconhecido. Por fim, Abû Sufyân dirigiu-se assim ao seu exército: ’Ó coraixitas! Não estais num lugar onde se possa ficar. Os cavalos e os camelos começaram a morrer. A penúria cercou-nos de todos os lados.
Vedes o que o vento nos fez passar. Levantai já o acampamento e parti! Eu vou embora!’ – e montou em seu camelo. O exército politeísta reuniu-se em estado lastimável e pôs-se a caminho de Meca. Sobre eles chovia areia e pedregulho.14 Partido o exército politeísta, também eu caminhei em direção a nosso Mestre Rasûlullah. Ao chegar a meio do caminho, apareceram-me cerca de vinte cavaleiros de turbantes brancos (os anjos). Disseram-me: ‘Informa Rasûlullah: Allahu ta’âlâ desbaratou o inimigo…’ Quando voltei para junto de nosso Mestre Rasûlullah, ele fazia o namâz sobre um tapete. Mas, assim que voltei, recomeçaram o frio e o tremor que eu sentia antes de partir. Depois do namâz, nosso Mestre Rasûlullah perguntou-me que notícia eu trazia. Informei-o do estado lastimável em que os politeístas tinham caído e de que tinham ido embora. Rasûlullah alegrou-se muito com esta notícia e sorriu. Havia dias que não dormíamos. Nosso Profeta tomou-me junto de si e cobriu-me com uma ponta do tapete que tinha sobre si. Assim passamos aquela noite até o amanhecer. Na hora do sahar, Rasûlullah acordou-me. Quando amanheceu, não restava nenhum vestígio do exército politeísta.” Até se aproximarem de Meca, soprou atrás deles um vento violento, e eles ouviram sem cessar sons de takbîr atrás de si.
Quando os politeístas de Quraysh abandonaram o acampamento e fugiram, as outras tribos politeístas que os haviam seguido também abandonaram Medina. Afogaram-se no pesar e na tristeza de uma derrota enorme, que jamais poderiam esquecer. Enquanto eles sofriam essa derrota, o Mestre do universo (sallallahu alaihi wa sallam) e seus gloriosos Companheiros (radiyallahu anhum) prostravam-se em sajda de gratidão a Allahu ta’âlâ, louvando-O e exprimindo-Lhe a sua gratidão.
“Ó Allah! Agradeço-Te por teres tido compaixão de mim e de meus Companheiros” Hadîth sharîf
Os mujâhids tomaram o caminho da luminosa Medina entre brados de “Allahu akbar! Allahu akbar!…” As ruas de Medina encheram-se num instante de crianças, que tinham saído ao encontro do Sultão do universo e de seus abençoados pais, tios paternos, tios maternos e irmãos mais velhos. Nosso Mestre, o Profeta, também lhes respondia sorrindo… Na Batalha da Trincheira houve seis mártires… Sobre esta batalha, Allahu ta’âlâ diz, em sentido, nos versículos sagrados: “Allahu ta’âlâ fez voltar com a sua raiva aqueles descrentes (da Batalha da Trincheira), sem que alcançassem bem algum nem vitória. Assim, Allahu ta’âlâ bastou (com os anjos e o vento) aos crentes no combate (para que tivessem êxito). Allahu ta’âlâ tem poder sobre todas as coisas. Ele é Azîz, vence todas as coisas.”15
“Ó vós que credes! Lembrai-vos das dádivas de Allahu ta’âlâ sobre vós. Quando (na Batalha da Trincheira) exércitos vos atacaram, Nós enviamos contra eles um vento e exércitos (de anjos) que não víeis…”16
Depois desta batalha, nosso amado Profeta disse: “Agora a vez é vossa. Daqui em diante, Quraysh não poderá vir contra vós.”
A Batalha de Banû Qurayza
